O texto à seguir é uma manifestação assinada por 150 ministros ordenados da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e encaminhada à Presidência daquela denominação cristã mediante repercussão causada pelas declarações de um Pastor Sinodal que é também segundo vice-presidente da igreja.
Como lideranças cristãs, nós, ministros e ministras da IECLB, reconhecemos a pluralidade social e a diversidade, inclusive em questões políticas, do povo de Deus. Mediante este simples fato repudiamos a instrumentalização da igreja para fins político-partidários, seja de qual viés político-ideológico for. O fazemos pelos danos que estes podem causar à igreja como corpo. Falar em nome deste corpo exige seriedade e deve ser resultado de uma profunda reflexão anterior. Por essa razão, não podemos concordar em que uma pessoa, ordenada ao ministério eclesiástico ou não, mesmo inserida no Sacerdócio de Cristo, faça uso da palavra como representante deste corpo.
Infelizmente, foi o que aconteceu com a entrevista posterior a visita feita ao ex-presidente Lula pelo P. Inácio Lemke, P. Sinodal do Sínodo Norte Catarinense e 2º P. Vice-Presidente da IECLB. O problema não foi a visita em si, mas as entrevistas e as falas do referido pastor, que, ao invés de levar uma palavra de esperança a partir do Evangelho de Jesus Cristo, sai “cheio de esperança” pelo que ouviu do ex-presidente. É claro que seria possível interpretar isso de diversas formas. No entanto, justamente pelo amplo leque de interpretações, causa dano ao corpo da igreja. A tarefa “profética”, tão presente nas Escrituras e sempre necessária deve apontar e estar sob senhorio de Jesus Cristo, o Senhor da Igreja, de forma que não gere mácula a presença de Cristo enquanto igreja/corpo.
Por essa razão, endossamos aquilo que está no Estatuto do Ministério com Ordenação (EMO) em seu intuito de reger nossas ações dentro do contexto de comunidades, paróquias e sínodos. Sendo assim, o claro e confessado partidarismo e militância política, agravado pela promessa pública de levar a causa política para dentro do corpo da igreja, agride frontalmente ao EMO em seu Art. 44: Em questões político-partidárias, a ministra ou o ministro atuará com o devido resguardo do seu ministério e do seu CAM, sem, entretanto, renegar a tarefa de promover o bem-estar do ser humano à luz do Evangelho. Parágrafo único. As preferências partidárias pessoais da ministra e do ministro não deverão prejudicar o bom relacionamento dos membros da Comunidade, entre si, e a sua convivência com o CAM”. Também o Art. 3º, p. 2º reza: “ ... III - assuma o compromisso expresso de exercer o ministério, mediante: a) observação da base confessional da IECLB, conforme estabelecida em sua Constituição; b) cumprimento dos deveres inerentes ao exercício do respectivo ministério específico, estabelecidos por este estatuto; c) sujeição às normas do documento Doutrina e Ordem da IECLB; d) observação e cumprimento dos demais documentos, que estabelecem a ordem da e na IECLB; ...”; E, de acordo com o que reza o Art 9º do OJD, o P. Inácio Lemke comete as seguintes infrações: “... II - de natureza grave: a) a conduta incompatível com os princípios do evangelho, com a ética cristã, ou com a função que exerce; b) a ofensa à confessionalidade; c) causar divisão e rupturas no seio de comunidades, paróquias, sínodos ou da própria Igreja;
Além disso, nós, enquanto ministras e ministros, estamos sendo constantemente questionados por causa de tal atitude do colega pastor. Há membros ameaçando desligamento das comunidades, outros informando que retirarão suas contribuições, e pessoas de fora do quadro de membros caluniando as nossas comunidades e paróquias. As bases das comunidades estão sentindo o resultado direto que esta atitude irresponsável causou. Como ser uma igreja missionária se uma liderança escolhida e que ocupa o cargo de Pastor Sinodal e 2º Vice-Presidente da IECLB consegue construir uma imagem tão negativa ao assumir uma posição político-partidária militante?
Diante disso, como ministros e ministras da IECLB conclamamos uma resposta da Presidência da Igreja, clara e oficial, para termos respaldo nos questionamentos de membros das Comunidades, mas também da sociedade como um todo.
Ministras e Ministros da IECLB.
1 de ago. de 2018
28 de jan. de 2015
Preocupado com o futuro?
Cada final e início de ano é a mesma coisa: certos personagens típicos, com pose de especialista, às vezes até ridiculamente vestidos, fazem suas previsões de futuro. Apresentam bolas de cristal, búzios, mapas astrais, cartas, leitura das mãos... como se realmente soubessem de alguma coisa! E olha que recebem crédito até de pessoas que afirmam que não é coisa racional crer e adorar a Deus. No entanto, são capazes de acreditar que seu futuro esteja escrito em algo como cartas de baralho ou outra coisa semelhante.
Numa hora dessas, como cristãos, precisamos é mudar de canal, deixando de dar audiência a esse tipo de apresentação. Afinal, temos motivos de sobra para não dar crédito a tais prognosticadores. Vejam só: o mundo não acabou em 2.000, como disseram que Nostradamus teria previsto; o Walter Mercado (aquele do “ligue já”!) é um caso de polícia na Europa; a Mãe Dinah tomou o maior vexame fazendo uma votação ridícula como postulante à deputada federal (será que, se fosse capaz de adivinhar algo, teria dado esse vexame?).
Algumas pessoas parecem ter uma premente necessidade de saber o futuro, uma ânsia de saciar os desejos de seu vaidoso coração. Como serão seus casos de amor? Seus negócios prosperarão? Que direção dar àquela decisão que precisa ser tomada? A viagem pretendida será bem sucedida? Em que dia devo iniciar a construção do prédio planejado? Enfim, são muitas perguntas e planos. São incautos os que se dirigem aos videntes de plantão em busca de respostas a essas e outras tantas perguntas. Esse tipo de atitude constitui verdadeira armadilha destinada a tomar o dinheiro de quem confia em enganadores profissionais, que não têm a mínima consideração em brincar com os sonhos e sentimentos das pessoas.
E, reparem só, muitos artistas de fama nacional submetem-se, em rede nacional, a verem seu destino e sua sorte serem traçados pelos mais variados métodos, inclusive visões ou jogo de búzios. Na realidade, isso só serve para animar os fãs desses artistas a procurarem tais videntes, dessa forma alimentando uma indústria do engodo. No meio disso tudo, de tanta previsão, é claro que alguma coisa, por pura coincidência, acaba se concretizando!
Como cristãos, não podemos e não devemos ser céticos, ou seja, não acreditar em nada. Entretanto, aquilo em que cremos precisa ter o fundamento sólido da palavra de Deus. Jesus nos ensinou a colocar o alicerce de nossa vida no fundamento da rocha, que é ele mesmo e sua doutrina (Mateus 7.24-27). Só assim nosso coração será satisfeito sem atentar contra a nossa fé em Cristo ou contra a razão.
Numa hora dessas, como cristãos, precisamos é mudar de canal, deixando de dar audiência a esse tipo de apresentação. Afinal, temos motivos de sobra para não dar crédito a tais prognosticadores. Vejam só: o mundo não acabou em 2.000, como disseram que Nostradamus teria previsto; o Walter Mercado (aquele do “ligue já”!) é um caso de polícia na Europa; a Mãe Dinah tomou o maior vexame fazendo uma votação ridícula como postulante à deputada federal (será que, se fosse capaz de adivinhar algo, teria dado esse vexame?).
Algumas pessoas parecem ter uma premente necessidade de saber o futuro, uma ânsia de saciar os desejos de seu vaidoso coração. Como serão seus casos de amor? Seus negócios prosperarão? Que direção dar àquela decisão que precisa ser tomada? A viagem pretendida será bem sucedida? Em que dia devo iniciar a construção do prédio planejado? Enfim, são muitas perguntas e planos. São incautos os que se dirigem aos videntes de plantão em busca de respostas a essas e outras tantas perguntas. Esse tipo de atitude constitui verdadeira armadilha destinada a tomar o dinheiro de quem confia em enganadores profissionais, que não têm a mínima consideração em brincar com os sonhos e sentimentos das pessoas.
E, reparem só, muitos artistas de fama nacional submetem-se, em rede nacional, a verem seu destino e sua sorte serem traçados pelos mais variados métodos, inclusive visões ou jogo de búzios. Na realidade, isso só serve para animar os fãs desses artistas a procurarem tais videntes, dessa forma alimentando uma indústria do engodo. No meio disso tudo, de tanta previsão, é claro que alguma coisa, por pura coincidência, acaba se concretizando!
Como cristãos, não podemos e não devemos ser céticos, ou seja, não acreditar em nada. Entretanto, aquilo em que cremos precisa ter o fundamento sólido da palavra de Deus. Jesus nos ensinou a colocar o alicerce de nossa vida no fundamento da rocha, que é ele mesmo e sua doutrina (Mateus 7.24-27). Só assim nosso coração será satisfeito sem atentar contra a nossa fé em Cristo ou contra a razão.
Celio Hoegen
16 de dez. de 2014
“Do contemplar ao Servir: em busca do sentido do Natal”
Um milionário solitário resolve alugar uma família para o Natal. Preço do aluguel: U$ 250.000. Esse é o enredo do filme “Sobrevivendo ao Natal”. Por que ele fez isso? Para poder sentir-se acolhido na noite de Natal. Parece estranho, não é? Mas, a verdade é que essa comédia acaba revelando a solidão enfrentada por tantas pessoas na vida real. E isso se intensifica nessa época natalina, acabando por encobrir seu real significado. As pessoas se ocupam com faxinas e decorações, envolvem-se em correrias para lojas superlotadas e para supermercados com muitas filas, correm atrás de pisca-piscas, mas isso só contrasta com a vinda do Salvador, que chegou na simplicidade e na sujeira de uma estrebaria, na escuridão da noite.
Lucas nos conta (Lc 2.8-19) o que aconteceu logo depois do nascimento de Cristo. Um anjo visita alguns pastores que acampavam com suas ovelhas perto de Belém. No frio silencioso daquela madrugada, esse anjo anuncia o nascimento do Salvador, o Cristo (v. 11). Que interessante! Os primeiros a ouvir sobre o nascimento do Salvador foram pastores de ovelhas, considerados naquela época a classe mais desprezível da sociedade. Ao ouvirem a boa notícia dos anjos, eles em seguida deixam seus rebanhos e vão procurar Jesus, que ainda se encontrava na estrebaria, envolto em panos e deitado na manjedoura (v. 12, 15 e 16). Com certeza, encontrar o Salvador da humanidade foi comprovação visível das palavras do anjo. Dá até para imaginar os joelhos dobrados, o louvor, a adoração que tomaram conta daquele humilde local.
Mas a história não termina com esta cena. A manjedoura não era local de peregrinação. O texto nos conta que depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito a respeito do menino e todos os que ouviram o que os pastores diziam ficaram admirados (v. 17-18). O encontro com o Salvador levou os pastores ao encontro de outras pessoas. Olhar para o menino Jesus os levou a olhar para fora da estrebaria. A contemplação resultou em serviço, a fim de que outras pessoas também tomassem conhecimento do nascimento do Salvador.
No Natal celebramos a vinda de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a este mundo. Mais tarde, mediante sua morte e ressurreição, ele haveria de vencer a morte e o inferno a favor de todos os que nele cressem. Essa mensagem não pode ficar presa entre as quatro paredes de nossas igrejas. Pelo contrário, somos chamados a proclamar a mensagem do reino de Deus em nossas famílias, circulo de amizades, ambiente de trabalho, e assim por diante.
Quantos lares irão passar o Natal como se fosse outro dia qualquer? Quantas serão as pessoas carentes de acolhimento, de sentido para a vida? Quantos serão os lares em que o Natal é uma mera celebração cultural?
O verdadeiro Natal está em Cristo, que assumiu a maldição do pecado em nosso lugar. Assim afirma o apóstolo Paulo: Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2 Co 5.21). Na manjedoura do pobre menino já se vislumbra a cruz, que é onde encontramos a reconciliação com Deus, com o próximo e com a criação. Este é o presente de Natal que o mundo precisa conhecer e receber.
Lutero anima os cristãos ao serviço: “Quando tens a Cristo como fundamento e bem maior da tua felicidade, segue outro ponto: que o tomes como exemplo e também te ofereças para servir ao teu próximo, assim como vês que ele se ofereceu por ti” (“O que procurar nos evangelhos”, de 1522).
Que seu Natal seja celebrado em família, em confraternização. E que, a partir do encontro com Cristo, sua vida se torne repleta de proclamação dessa boa nova e de serviço ao próximo. Afinal de contas, o preço que custou a obra salvífica de Cristo foi muito maior do que os U$ 250.000 pagos pelo personagem milionário para ter uma ilusão de acolhimento. O preço que Deus pagou foi o da vida do seu filho único, por amor de toda a humanidade.
Que Deus lhe abençoe neste Natal. Que você tenha um feliz Natal!
Lucas nos conta (Lc 2.8-19) o que aconteceu logo depois do nascimento de Cristo. Um anjo visita alguns pastores que acampavam com suas ovelhas perto de Belém. No frio silencioso daquela madrugada, esse anjo anuncia o nascimento do Salvador, o Cristo (v. 11). Que interessante! Os primeiros a ouvir sobre o nascimento do Salvador foram pastores de ovelhas, considerados naquela época a classe mais desprezível da sociedade. Ao ouvirem a boa notícia dos anjos, eles em seguida deixam seus rebanhos e vão procurar Jesus, que ainda se encontrava na estrebaria, envolto em panos e deitado na manjedoura (v. 12, 15 e 16). Com certeza, encontrar o Salvador da humanidade foi comprovação visível das palavras do anjo. Dá até para imaginar os joelhos dobrados, o louvor, a adoração que tomaram conta daquele humilde local.
Mas a história não termina com esta cena. A manjedoura não era local de peregrinação. O texto nos conta que depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito a respeito do menino e todos os que ouviram o que os pastores diziam ficaram admirados (v. 17-18). O encontro com o Salvador levou os pastores ao encontro de outras pessoas. Olhar para o menino Jesus os levou a olhar para fora da estrebaria. A contemplação resultou em serviço, a fim de que outras pessoas também tomassem conhecimento do nascimento do Salvador.
No Natal celebramos a vinda de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a este mundo. Mais tarde, mediante sua morte e ressurreição, ele haveria de vencer a morte e o inferno a favor de todos os que nele cressem. Essa mensagem não pode ficar presa entre as quatro paredes de nossas igrejas. Pelo contrário, somos chamados a proclamar a mensagem do reino de Deus em nossas famílias, circulo de amizades, ambiente de trabalho, e assim por diante.
Quantos lares irão passar o Natal como se fosse outro dia qualquer? Quantas serão as pessoas carentes de acolhimento, de sentido para a vida? Quantos serão os lares em que o Natal é uma mera celebração cultural?
O verdadeiro Natal está em Cristo, que assumiu a maldição do pecado em nosso lugar. Assim afirma o apóstolo Paulo: Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2 Co 5.21). Na manjedoura do pobre menino já se vislumbra a cruz, que é onde encontramos a reconciliação com Deus, com o próximo e com a criação. Este é o presente de Natal que o mundo precisa conhecer e receber.
Lutero anima os cristãos ao serviço: “Quando tens a Cristo como fundamento e bem maior da tua felicidade, segue outro ponto: que o tomes como exemplo e também te ofereças para servir ao teu próximo, assim como vês que ele se ofereceu por ti” (“O que procurar nos evangelhos”, de 1522).
Que seu Natal seja celebrado em família, em confraternização. E que, a partir do encontro com Cristo, sua vida se torne repleta de proclamação dessa boa nova e de serviço ao próximo. Afinal de contas, o preço que custou a obra salvífica de Cristo foi muito maior do que os U$ 250.000 pagos pelo personagem milionário para ter uma ilusão de acolhimento. O preço que Deus pagou foi o da vida do seu filho único, por amor de toda a humanidade.
Que Deus lhe abençoe neste Natal. Que você tenha um feliz Natal!
André Felipe Voge
São Bento do Sul
andre-vogel@hotmail.com
4 de dez. de 2014
A reconciliação passa pelo perdão
Francisco é dono de uma empresa. Ele convida um amigo de confiança, o Wilson, para ajudá-lo. Francisco assume a responsabilidade pela produção, e Wilson pelas compras e vendas. Com o passar do tempo, sem que Francisco fique sabendo, Wilson começa a usar recursos da empresa em benefício próprio. Os desvios chegam a tal proporção que a empresa foi à falência. Com inúmeros credores fazendo pressão para receber seu dinheiro, Francisco acabou indo para a prisão. A família, a muito custo, foi se desfazendo de todos os bens, para que, juntamente com Francisco, pudessem recomeçar a vida. Haviam perdido a confortável casa, os filhos não puderam freqüentar boas escolas, muito menos a faculdade. Isso sem contar a dor da humilhação e da decepção. Feridas muito profundas foram causadas pela irresponsabilidade do Wilson, o amigo de confiança!
Esta história é fictícia, mas não inverossímil. Ela levanta a pergunta: é possível perdoar um amigo que lesou não apenas a honra do outro, mas o conforto doméstico, a formação, a segurança e o futuro dos filhos do amigo? Lembremos que perdoar não é esquecer (isto seria amnésia); nem restituir completamente a confiança (isto seria insanidade); nem deixar de reconhecer o erro de outro (pois isto significaria cumplicidade). Num caso como esse, seria possível haver novamente paz entre estes amigos? É possível reconciliar? Sim, é possível. Ensinamos, a partir da sabedoria bíblica, que o ser humano reconciliado com Deus também busca a reconciliação com o próximo. Vejamos como isto acontece.
A palavra reconciliação significa o restabelecimento de acordo, ou paz, entre dois indivíduos quem viviam numa relação de hostilidade, inimizade. A Bíblia relata que houve uma ruptura entre Deus e a humanidade no Jardim do Éden (Gênesis 3), quando Adão e Eva se rebelaram contra Deus. Porém, a Bíblia afirma que Deus nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo (2Coríntios 5.18). A sabedoria bíblica, então, nos lembra que Deus deu o primeiro passo em direção ao ser humano a fim de que a rebeldia deste contra o próprio Deus fosse eliminada. Em Cristo, Deus nos reconciliou consigo mesmo. Agora temos paz com Deus (Romanos 5.1).
O perdão recebido de Deus tem conseqüências concretas nas relações com o próximo. A reconciliação com o próximo é fruto da reconciliação de Deus conosco. Foi isto que Jesus ensinou quando, no “Pai-nosso”, instruiu seus seguidores a pedirem: E perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos nossos devedores (Mateus 6.12). O perdão é a porta aberta por Deus para a reconciliação com o próximo.
Concluo lembrando um pequeno texto escrito por Mary Karen Read em seu diário, antes de ser assassinada por um atirador no dia 16 de abril de 2007, junto com mais 30 colegas, professores e funcionários de uma escola no estado da Virgínia/EUA: Quando feridas profundas são feitas contra nós, nunca nos curamos até que perdoamos. O perdão não muda o passado, mas o perdão amplia o futuro.
Esta história é fictícia, mas não inverossímil. Ela levanta a pergunta: é possível perdoar um amigo que lesou não apenas a honra do outro, mas o conforto doméstico, a formação, a segurança e o futuro dos filhos do amigo? Lembremos que perdoar não é esquecer (isto seria amnésia); nem restituir completamente a confiança (isto seria insanidade); nem deixar de reconhecer o erro de outro (pois isto significaria cumplicidade). Num caso como esse, seria possível haver novamente paz entre estes amigos? É possível reconciliar? Sim, é possível. Ensinamos, a partir da sabedoria bíblica, que o ser humano reconciliado com Deus também busca a reconciliação com o próximo. Vejamos como isto acontece.
A palavra reconciliação significa o restabelecimento de acordo, ou paz, entre dois indivíduos quem viviam numa relação de hostilidade, inimizade. A Bíblia relata que houve uma ruptura entre Deus e a humanidade no Jardim do Éden (Gênesis 3), quando Adão e Eva se rebelaram contra Deus. Porém, a Bíblia afirma que Deus nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo (2Coríntios 5.18). A sabedoria bíblica, então, nos lembra que Deus deu o primeiro passo em direção ao ser humano a fim de que a rebeldia deste contra o próprio Deus fosse eliminada. Em Cristo, Deus nos reconciliou consigo mesmo. Agora temos paz com Deus (Romanos 5.1).
O perdão recebido de Deus tem conseqüências concretas nas relações com o próximo. A reconciliação com o próximo é fruto da reconciliação de Deus conosco. Foi isto que Jesus ensinou quando, no “Pai-nosso”, instruiu seus seguidores a pedirem: E perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos nossos devedores (Mateus 6.12). O perdão é a porta aberta por Deus para a reconciliação com o próximo.
Concluo lembrando um pequeno texto escrito por Mary Karen Read em seu diário, antes de ser assassinada por um atirador no dia 16 de abril de 2007, junto com mais 30 colegas, professores e funcionários de uma escola no estado da Virgínia/EUA: Quando feridas profundas são feitas contra nós, nunca nos curamos até que perdoamos. O perdão não muda o passado, mas o perdão amplia o futuro.
P. Joel Schlemper – São José/SC
joelschlemper@gmail.com
20 de nov. de 2014
Ser sal e luz é o caminho na política
Você já foi ou pensa em ser candidato a algum cargo eletivo? É. Isto mesmo. Ser candidato a vereador, prefeito, deputado, senador, governador ou presidente? Você já pensou nisto? Estás louco!... Você pode estar pensando. Isto não é coisa para gente séria!
Pois é, infelizmente este é o conceito de muita gente. De que política não é coisa para gente séria. O que esperar dos nossos governantes se é este, muitas vezes, o conceito que temos?
Nas últimas eleições me chamaram a atenção dois fatos: a apatia e o desrespeito dos eleitores.
A apatia no sentido de não querer participar, não querer conhecer, não querer entender, não querer diferenciar. Fico me perguntando: como vou escolher consistentemente os meus representantes nos poderes legislativo e executivo, nas esferas nacional e estadual, sem me envolver com o processo?
Parece-me que muitos perderam a consciência de que no Brasil é o povo que elege os seus governantes. A Constituição afirma, em seu capítulo primeiro, que “todo o poder emana do povo”. Estamos exercendo esta oportunidade?
A apatia foi tanta que não existia muito clima para falar de eleição e pedir voto. Reuniões foram muito esvaziadas; comícios foram raros. Entendo... O conceito de muitos foi que os políticos “são tudo igual”, “tudo farinha do mesmo saco”, “são tudo corrupto”, “estou desacreditado da política”... e assim por diante.
Entendo... mas pergunto: Estes sentimentos ajudam a termos políticos dignos da nossa representação? O desrespeito no sentido de não conseguir dialogar com o diferente e com as diferenças também apareceu muito forte. Ele ficou bem evidenciado no segundo turno da eleição presidencial e no pós-eleição. Chegou-se a expor sentimentos de preconceito e de ódio surpreendentes, especialmente nas redes sociais.
Não preciso relembrar o que lemos, vimos e ouvimos durante o processo. Quero reforçar, aqui, que não falo do comportamento dos candidatos, apesar deles também terem sua parcela de responsabilidade sobre o processo. Estou falando de nós, eleitores, cidadãos comuns, de onde emergem os políticos e governantes.
Nós, cristãos luteranos, acreditamos que “somos sal da terra e luz do mundo”. Sal para dar sabor (ser um tempero) ou para matar? Luz para mostrar o caminho ou para cegar? Acredito que seja para dar sabor e para mostrar o caminho.
Para sermos sal e luz na sociedade precisamos nos envolver na política. Posicionando-nos consistentemente frente à complexidade social e política é um bom começo. Na atualidade, especialmente com o advindo das redes sociais, com uma quantidade enorme de informações a ser processadas, muitas vezes ficamos na superficialidade.
Ser sal e luz na dose certa é o desafio. Envolvendo-nos, de forma consistente e respeitosa, possibilitaremos que pessoas de bem estejam dispostas a exercer cargos públicos. Semear palavras de tolerância, amar ao próximo, não julgando suas práticas e escolhas (pois cabe somente a Deus julgar), mas acolhendo-o em nossas comunidades e mostrando o caminho do Evangelho.
Apatia e desrespeito com a política e os políticos fortalecerão exatamente aquilo que não queremos: o político interesseiro e corrupto.
Quero ver pessoas de bem se envolvendo na política, inclusive sendo candidatos vitoriosos, exercendo os cargos eletivos. Se quisermos uma sociedade mais justa e solidária precisamos começar por cada um de nós.
Pois é, infelizmente este é o conceito de muita gente. De que política não é coisa para gente séria. O que esperar dos nossos governantes se é este, muitas vezes, o conceito que temos?
Nas últimas eleições me chamaram a atenção dois fatos: a apatia e o desrespeito dos eleitores.
A apatia no sentido de não querer participar, não querer conhecer, não querer entender, não querer diferenciar. Fico me perguntando: como vou escolher consistentemente os meus representantes nos poderes legislativo e executivo, nas esferas nacional e estadual, sem me envolver com o processo?
Parece-me que muitos perderam a consciência de que no Brasil é o povo que elege os seus governantes. A Constituição afirma, em seu capítulo primeiro, que “todo o poder emana do povo”. Estamos exercendo esta oportunidade?
A apatia foi tanta que não existia muito clima para falar de eleição e pedir voto. Reuniões foram muito esvaziadas; comícios foram raros. Entendo... O conceito de muitos foi que os políticos “são tudo igual”, “tudo farinha do mesmo saco”, “são tudo corrupto”, “estou desacreditado da política”... e assim por diante.
Entendo... mas pergunto: Estes sentimentos ajudam a termos políticos dignos da nossa representação? O desrespeito no sentido de não conseguir dialogar com o diferente e com as diferenças também apareceu muito forte. Ele ficou bem evidenciado no segundo turno da eleição presidencial e no pós-eleição. Chegou-se a expor sentimentos de preconceito e de ódio surpreendentes, especialmente nas redes sociais.
Não preciso relembrar o que lemos, vimos e ouvimos durante o processo. Quero reforçar, aqui, que não falo do comportamento dos candidatos, apesar deles também terem sua parcela de responsabilidade sobre o processo. Estou falando de nós, eleitores, cidadãos comuns, de onde emergem os políticos e governantes.
Nós, cristãos luteranos, acreditamos que “somos sal da terra e luz do mundo”. Sal para dar sabor (ser um tempero) ou para matar? Luz para mostrar o caminho ou para cegar? Acredito que seja para dar sabor e para mostrar o caminho.
Para sermos sal e luz na sociedade precisamos nos envolver na política. Posicionando-nos consistentemente frente à complexidade social e política é um bom começo. Na atualidade, especialmente com o advindo das redes sociais, com uma quantidade enorme de informações a ser processadas, muitas vezes ficamos na superficialidade.
Ser sal e luz na dose certa é o desafio. Envolvendo-nos, de forma consistente e respeitosa, possibilitaremos que pessoas de bem estejam dispostas a exercer cargos públicos. Semear palavras de tolerância, amar ao próximo, não julgando suas práticas e escolhas (pois cabe somente a Deus julgar), mas acolhendo-o em nossas comunidades e mostrando o caminho do Evangelho.
Apatia e desrespeito com a política e os políticos fortalecerão exatamente aquilo que não queremos: o político interesseiro e corrupto.
Quero ver pessoas de bem se envolvendo na política, inclusive sendo candidatos vitoriosos, exercendo os cargos eletivos. Se quisermos uma sociedade mais justa e solidária precisamos começar por cada um de nós.
Glauco Lindner
Lontras - SC
Lontras - SC
10 de nov. de 2014
Nossa Cidadania
Nos últimos meses o nosso país viveu mais um processo eleitoral. Como cidadãos brasileiros, fomos chamados a escolher nossos representantes políticos. O debate sobre quem seriam os melhores candidatos tomou conta das conversas, também nas redes sociais. Agora, já sabemos quem irá governar o nosso estado e país pelos próximos quatro anos.
Porém, nosso compromisso não para por aí. Independente se os candidatos que apoiamos foram eleitos ou não, como cristãos somos desafiados por Deus a buscar o bem do lugar onde vivemos: Trabalhem para o bem da cidade para onde eu os mandei... Orem a mim, pedindo em favor dela, pois, se ela estiver bem, vocês também estarão. (Jeremias 29.7 – NTLH).
Porém, nosso compromisso não para por aí. Independente se os candidatos que apoiamos foram eleitos ou não, como cristãos somos desafiados por Deus a buscar o bem do lugar onde vivemos: Trabalhem para o bem da cidade para onde eu os mandei... Orem a mim, pedindo em favor dela, pois, se ela estiver bem, vocês também estarão. (Jeremias 29.7 – NTLH).
Encontramos dois desafios práticos nesta palavra. O primeiro é trabalhar para o bem da cidade. Através de Jeremias Deus detalhou de maneira concreta como isso deveria ser feito: significa ter um estilo de vida honesto, justo e digno, valorizar e zelar pela família; entender o nosso trabalho não apenas como um meio de ganhar dinheiro, mas também de servir a sociedade. Significa também envolver-se em iniciativas e trabalhos sociais que busquem melhorar a qualidade de vida da população. O engajamento político também pode ser útil e importante de contribuir para o bem do meio onde vivemos. Porém, devemos empenhar-nos orientados pelos ensinos bíblicos. Não se pode entender a participação política como meio para alcançar benefícios pessoais ou de um grupo específico, nem aderir à cultura que espera que tudo vá de mal a pior, se o meu candidato não ganhar as eleições. Não podemos concordar com esse pensamento, pois ele prejudica o povo todo.
Outro aspecto é a oração em favor da cidade. O apóstolo Paulo ensina: Orem pelos reis e por todos os outros que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros. Isso é bom, e Deus, o nosso Salvador, gosta disso. (1Timóteo 2.1-3 NVI). Nossa tarefa é, pois, orar pelos governantes para que sejam justos e honestos e governem para o bem de todos, para que não se deixam dominar pelo poder e ganância e tornem-se negligentes para com suas responsabilidades. A população sofre quando as autoridades não cumprem a sua tarefa e nós, cristãos, também não cumprimos a nossa. Achamos mais fácil confiar numa pessoa que se apresente como salvadora da pátria do que no poder da oração.
Quando ambos, cristãos e governantes, cumprem o seu papel na sociedade o resultado pode ser diferente. Paulo nos chama a orar para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade, pois essa é a vontade de Deus.
Joelson Erbert Martins – São José - SC
martaejoelson@oi.com.br
6 de nov. de 2014
Porque não comemoramos o dia das bruxas
Edição especial 03 – Os quatro pilares da reforma
No dia 31 de outubro comemoramos os 497 da Reforma Protestante. Logo chegarão as celebrações dos 500 anos. Inegavelmente, a Reforma foi um dos grandes acontecimentos na cultura ocidental. Sua contribuição para a teologia, política, economia e educação mudou profundamente o pensamento de milhões de pessoas. Lutero nunca imaginou que o ato de pregar as 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittemberg, em1517, seria a mola propulsora de grandes e profundas mudanças no curso da história.
Podemos resumir a Reforma iniciada por Lutero em quatro pilares que expressam os fundamentos teológicos que sustentam seu pensamento e nos ajudam na vivência evangélica e bíblica:
1) Solus Christus – Somente Cristo: Como herdeiros da Reforma, fundamentamos a nossa espiritualidade e teologia na centralidade da pessoa de Cristo. Confessamos que somente Cristo salva, somente Cristo perdoa, somente Cristo é o mediador entre Deus e os seres humanos. Jesus Cristo não é "mais um" no panteão religioso. Ele é único e a sua morte na cruz e sua ressurreição são suficientes para completar a nossa redenção. Lutero não inventou essa centralidade de Cristo, pelo contrário, ele a resgatou das Sagradas Escrituras que declaram: E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.12).
2) Sola Gratia – Somente a Graça: Cristo é o único Senhor e Salvador e as Escrituras atestam essa verdade. Da mesma forma, a Bíblia afiança que não podemos alcançar a salvação pelas nossas obras meritórias. Ou seja, não podemos conquistar o favor de Deus por praticarmos coisas boas e sermos honestos, íntegros e participamos da igreja. É Deus quem vem ao nosso encontro. Ele nos amou primeiro e tomou iniciativa para nos alcançar. Somos libertos da idéia de que nós somos os agentes da salvação e que podemos merecer o amor de Deus pelas nossas atitudes. Deus ama a todos indistintamente. Quem se deixa alcançar por este amor pode viver em plena liberdade para amar e perdoar. Numa sociedade em que tudo é comprado, conquistado pelo esforço e mérito próprio, a mensagem de um Deus que nos aceita e nos ama graciosamente é loucura quase incompreensível. Em Efésios 2.8-9 podemos ler: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.
3) Sola Fide – Somente a Fé: Esta nova realidade gerada por sermos salvos somente por Cristo e não pelo que fazemos de bom só é experimentada pela fé. A fé não é um sentimento vago, mas a certeza de que aquilo que os nossos olhos não enxergam é real e verdadeiro (Hebreus 11.1). A fé acolhe a graça de Deus e por meio dela vivemos em um relacionamento vivo com Deus. Lutero nos lembra que pela fé vivemos uma dimensão espiritual que não pode ser gerada pelos nossos esforços. Ela é um dom de Deus. O apóstolo Paulo afirma: Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: O justo viverá da fé (Romanos 1.16-17.).
4) Sola Scriptura – Somente a Escritura: Segundo Lutero, o maior tesouro da Igreja é o Evangelho de Jesus Cristo revelado nas Escrituras. Nenhuma tradição, concílio ou qualquer convenção humana pode estar acima das Escrituras ou ao lado dela. A palavra de Deus tem primazia e ela é fonte de todo crescimento espiritual. Ela revela a vontade de Deus e nada pode ser ensinado na Igreja que contrarie essa vontade. As Sagradas Escrituras têm autoridade sobre qualquer assunto de fé e obediência. Com a ajuda do Espírito Santo e tendo como chave hermenêutica a pessoa de Cristo, a herança da Reforma nos compromete a sermos Igreja da Palavra.
Esses quatro fundamentos continuam atuais e em grande medida tornam-se crivos para não adotarmos qualquer ensinamento que contrarie o verdadeiro e puro Evangelho de Jesus Cristo. Lembre-se: ser cristão luterano não é ser um seguidor de Lutero, mas um discípulo de Cristo que tem Nele seu único Senhor e Salvador, que entendeu que somos o que somos pela graça divina, que vive pela fé e se alimenta diariamente da Palavra de Deus.
No dia 31 de outubro comemoramos os 497 da Reforma Protestante. Logo chegarão as celebrações dos 500 anos. Inegavelmente, a Reforma foi um dos grandes acontecimentos na cultura ocidental. Sua contribuição para a teologia, política, economia e educação mudou profundamente o pensamento de milhões de pessoas. Lutero nunca imaginou que o ato de pregar as 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittemberg, em1517, seria a mola propulsora de grandes e profundas mudanças no curso da história.
Podemos resumir a Reforma iniciada por Lutero em quatro pilares que expressam os fundamentos teológicos que sustentam seu pensamento e nos ajudam na vivência evangélica e bíblica:
1) Solus Christus – Somente Cristo: Como herdeiros da Reforma, fundamentamos a nossa espiritualidade e teologia na centralidade da pessoa de Cristo. Confessamos que somente Cristo salva, somente Cristo perdoa, somente Cristo é o mediador entre Deus e os seres humanos. Jesus Cristo não é "mais um" no panteão religioso. Ele é único e a sua morte na cruz e sua ressurreição são suficientes para completar a nossa redenção. Lutero não inventou essa centralidade de Cristo, pelo contrário, ele a resgatou das Sagradas Escrituras que declaram: E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.12).
2) Sola Gratia – Somente a Graça: Cristo é o único Senhor e Salvador e as Escrituras atestam essa verdade. Da mesma forma, a Bíblia afiança que não podemos alcançar a salvação pelas nossas obras meritórias. Ou seja, não podemos conquistar o favor de Deus por praticarmos coisas boas e sermos honestos, íntegros e participamos da igreja. É Deus quem vem ao nosso encontro. Ele nos amou primeiro e tomou iniciativa para nos alcançar. Somos libertos da idéia de que nós somos os agentes da salvação e que podemos merecer o amor de Deus pelas nossas atitudes. Deus ama a todos indistintamente. Quem se deixa alcançar por este amor pode viver em plena liberdade para amar e perdoar. Numa sociedade em que tudo é comprado, conquistado pelo esforço e mérito próprio, a mensagem de um Deus que nos aceita e nos ama graciosamente é loucura quase incompreensível. Em Efésios 2.8-9 podemos ler: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.
3) Sola Fide – Somente a Fé: Esta nova realidade gerada por sermos salvos somente por Cristo e não pelo que fazemos de bom só é experimentada pela fé. A fé não é um sentimento vago, mas a certeza de que aquilo que os nossos olhos não enxergam é real e verdadeiro (Hebreus 11.1). A fé acolhe a graça de Deus e por meio dela vivemos em um relacionamento vivo com Deus. Lutero nos lembra que pela fé vivemos uma dimensão espiritual que não pode ser gerada pelos nossos esforços. Ela é um dom de Deus. O apóstolo Paulo afirma: Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: O justo viverá da fé (Romanos 1.16-17.).
4) Sola Scriptura – Somente a Escritura: Segundo Lutero, o maior tesouro da Igreja é o Evangelho de Jesus Cristo revelado nas Escrituras. Nenhuma tradição, concílio ou qualquer convenção humana pode estar acima das Escrituras ou ao lado dela. A palavra de Deus tem primazia e ela é fonte de todo crescimento espiritual. Ela revela a vontade de Deus e nada pode ser ensinado na Igreja que contrarie essa vontade. As Sagradas Escrituras têm autoridade sobre qualquer assunto de fé e obediência. Com a ajuda do Espírito Santo e tendo como chave hermenêutica a pessoa de Cristo, a herança da Reforma nos compromete a sermos Igreja da Palavra.
Esses quatro fundamentos continuam atuais e em grande medida tornam-se crivos para não adotarmos qualquer ensinamento que contrarie o verdadeiro e puro Evangelho de Jesus Cristo. Lembre-se: ser cristão luterano não é ser um seguidor de Lutero, mas um discípulo de Cristo que tem Nele seu único Senhor e Salvador, que entendeu que somos o que somos pela graça divina, que vive pela fé e se alimenta diariamente da Palavra de Deus.
P. Marcos Antonio da Silva, Curitiba
21 de out. de 2014
Acolher! O que isso significa?
Ninguém acolheu pessoas como Jesus. Esta, aliás, foi uma das marcas de seu ministério. De coração aberto recebeu toda sorte de pessoas machucadas e feridas. Pessoas que haviam perdido o rumo na vida encontraram nele um ouvido atento. Pessoas escravizadas e oprimidas sempre perceberam sua mão estendida. E mesmo quem vivia atolado em pecados não foi rejeitado. Jesus acolhia como ninguém.
Aliás, não há ninguém que possa fazê-lo como ele o fez. Na condição de Criador conhece o ser humano até as entranhas e nem as emoções mais profundas lhe podem ser ocultadas (Salmo 139.13-16). Na condição de Salvador foi tentado em todas as coisas à nossa semelhança e sabe muito bem em que desamparo somos lançados por conta do sofrimento e do pecado. Na condição de Espírito Santo ele consola e nos acolhe em nossas dores mais profundas como nenhum outro é capaz de fazê-lo (João 14.26).
Ao mesmo tempo, se ilude quem imagina e propaga que a atitude de Jesus se limita em acolher. Seria uma ajuda pela metade. Do que adiantaria ir a um médico que apenas nos recebe bem e ouve. Ou procurar um advogado que tão somente nos escuta, mas não aponta um caminho a seguir com a nossa causa. Jesus vai muito além de acolher superficialmente. Ele acolhe num sentido mais profundo.
O paralítico trazido à sua presença por seus amigos (Marcos 2) Jesus acolheu, curou de sua enfermidade e lhe perdoou seus pecados. Ao jovem rico desorientado pelo seu apego aos bens materiais, Jesus o amou e lhe apontou o caminho para encontrar a vida e o tesouro eterno (Mateus 19). O homem dominado por uma legião de demônios Jesus o libertou de sua escravidão e o restituiu à sua família (Marcos 5). Jesus foi o único a acolher a mulher flagrada em adultério (João 8) e lhe mostrou o caminho para uma nova vida.
Paulo, o perseguidor da igreja foi transformado e acolhido (Atos 9). Até mesmo Judas foi acolhido na ceia do Senhor, recebendo a oportunidade de começar uma nova vida. Os Evangelhos nos ensinam que Jesus acolheu pessoas, mas não acolheu seu pecado. Acolher o pecador não significa fechar os olhos para seu pecado, pois é justamente este a causa última e mais profunda de todo o sofrimento humano. Jesus acolhe pessoas como elas são, para dar a elas a possibilidade de experimentar novidade de vida, na medida em que crêem nele.
Aliás, não há ninguém que possa fazê-lo como ele o fez. Na condição de Criador conhece o ser humano até as entranhas e nem as emoções mais profundas lhe podem ser ocultadas (Salmo 139.13-16). Na condição de Salvador foi tentado em todas as coisas à nossa semelhança e sabe muito bem em que desamparo somos lançados por conta do sofrimento e do pecado. Na condição de Espírito Santo ele consola e nos acolhe em nossas dores mais profundas como nenhum outro é capaz de fazê-lo (João 14.26).
Ao mesmo tempo, se ilude quem imagina e propaga que a atitude de Jesus se limita em acolher. Seria uma ajuda pela metade. Do que adiantaria ir a um médico que apenas nos recebe bem e ouve. Ou procurar um advogado que tão somente nos escuta, mas não aponta um caminho a seguir com a nossa causa. Jesus vai muito além de acolher superficialmente. Ele acolhe num sentido mais profundo.
O paralítico trazido à sua presença por seus amigos (Marcos 2) Jesus acolheu, curou de sua enfermidade e lhe perdoou seus pecados. Ao jovem rico desorientado pelo seu apego aos bens materiais, Jesus o amou e lhe apontou o caminho para encontrar a vida e o tesouro eterno (Mateus 19). O homem dominado por uma legião de demônios Jesus o libertou de sua escravidão e o restituiu à sua família (Marcos 5). Jesus foi o único a acolher a mulher flagrada em adultério (João 8) e lhe mostrou o caminho para uma nova vida.
Paulo, o perseguidor da igreja foi transformado e acolhido (Atos 9). Até mesmo Judas foi acolhido na ceia do Senhor, recebendo a oportunidade de começar uma nova vida. Os Evangelhos nos ensinam que Jesus acolheu pessoas, mas não acolheu seu pecado. Acolher o pecador não significa fechar os olhos para seu pecado, pois é justamente este a causa última e mais profunda de todo o sofrimento humano. Jesus acolhe pessoas como elas são, para dar a elas a possibilidade de experimentar novidade de vida, na medida em que crêem nele.
P. Sigolf Greuel – Florianópolis/SC
pastor.sigolf@gmail.com
7 de out. de 2014
Saber escutar, acolher, compreender e saber anunciar
Saber escutar, acolher e compreender são habilidades muito importantes no aconselhamento cristão. Sem exercer empatia, o cuidado com pessoas fica comprometido. Sem ela, a pessoa a ser ajudada vai embora com um sentimento de frustração e de vazio existencial. Essas três habilidades são pressupostos importantes da psicologia moderna. Elas ajudam porque, ao sentir-se compreendida, a pessoa fica aliviada por estar em sintonia com quem a compreende e aceita.
Ao mesmo tempo em que aceitamos essa importante realidade, também percebemos que, na perspectiva da fé, ela traz consigo um problema existencial muito sério, pois saber escutar, acolher e compreender não indica direção para fora da aflição. Falta-lhe direcionar para a mudança, ao arrependimento.
Jesus, por exemplo, não se contentava em apenas acolher e compreender as pessoas. A quem demonstrava abertura, Ele também apontava para a possibilidade de mudança, de arrependimento. Para com aqueles que achavam saber tudo e que não estavam abertos a mudanças, Jesus dizia: Ta bem..., já que você sabe tudo, faça isso e viverá (Lucas 10.28).
Quando, porém, encontrava alguém com sede não somente de água, mas de vida, como a mulher Samaritana, Jesus, depois de mostrar carinho e compreensão, apontava para a possibilidade de mudança de vida. Ele disse a ela: Quem beber desta água tornará a ter sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna. A mulher, sentindo que não apenas era acolhida, mas que Jesus lhe oferecia a possibilidade de uma vida diferente, suspira e diz: Senhor, dê-me dessa água (João 14.13-15).
Já no Antigo Testamento os profetas, ao anunciar a Palavra de Deus, sempre chamam ao arrependimento. Por exemplo, após levar Davi a reconhecer o seu pecado e confessar: Pequei contra o Senhor, o profeta Natã o anima, anunciando-lhe o perdão: O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá (2 Samuel 12.13).
Certamente o aconselhamento cristão tem aprendido muito da psicologia. Ela nos ajuda a sermos mais compreensivos, a acolher melhor quem nos procura. O problema é que, muitas vezes, agimos como se fôssemos psicólogos, e deixamos de apontar para o arrependimento e para mudanças que Deus quer operar naqueles que ouvem o Evangelho.
Muitas vezes, também encontramos muitas pessoas que “já sabem tudo”, que não pensam em abrir mão das suas filosofias e “verdades”. Mas pense nas muitas pessoas que encontra que, como a mulher samaritana, estão sedentas de vida. O próprio compartilhar do Evangelho identifica e traz à tona essa sede. Devemos perceber que Deus quer que as acolhamos, compartilhemos com elas as Boas Novas de Jesus. Atitudes de aceitação as encorajam a perguntar da direção que sua vida precisa tomar.
Jesus diz que somos sal da terra. Isto é, nossa característica é temperar a vida. Com alegria podemos apontar para veredas de luz. Como diz Pedro: Antes santifiquem Cristo côo Senhor em seu coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês (I Pedro 3.15).
Ao mesmo tempo em que aceitamos essa importante realidade, também percebemos que, na perspectiva da fé, ela traz consigo um problema existencial muito sério, pois saber escutar, acolher e compreender não indica direção para fora da aflição. Falta-lhe direcionar para a mudança, ao arrependimento.
Jesus, por exemplo, não se contentava em apenas acolher e compreender as pessoas. A quem demonstrava abertura, Ele também apontava para a possibilidade de mudança, de arrependimento. Para com aqueles que achavam saber tudo e que não estavam abertos a mudanças, Jesus dizia: Ta bem..., já que você sabe tudo, faça isso e viverá (Lucas 10.28).
Quando, porém, encontrava alguém com sede não somente de água, mas de vida, como a mulher Samaritana, Jesus, depois de mostrar carinho e compreensão, apontava para a possibilidade de mudança de vida. Ele disse a ela: Quem beber desta água tornará a ter sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna. A mulher, sentindo que não apenas era acolhida, mas que Jesus lhe oferecia a possibilidade de uma vida diferente, suspira e diz: Senhor, dê-me dessa água (João 14.13-15).
Já no Antigo Testamento os profetas, ao anunciar a Palavra de Deus, sempre chamam ao arrependimento. Por exemplo, após levar Davi a reconhecer o seu pecado e confessar: Pequei contra o Senhor, o profeta Natã o anima, anunciando-lhe o perdão: O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá (2 Samuel 12.13).
Certamente o aconselhamento cristão tem aprendido muito da psicologia. Ela nos ajuda a sermos mais compreensivos, a acolher melhor quem nos procura. O problema é que, muitas vezes, agimos como se fôssemos psicólogos, e deixamos de apontar para o arrependimento e para mudanças que Deus quer operar naqueles que ouvem o Evangelho.
Muitas vezes, também encontramos muitas pessoas que “já sabem tudo”, que não pensam em abrir mão das suas filosofias e “verdades”. Mas pense nas muitas pessoas que encontra que, como a mulher samaritana, estão sedentas de vida. O próprio compartilhar do Evangelho identifica e traz à tona essa sede. Devemos perceber que Deus quer que as acolhamos, compartilhemos com elas as Boas Novas de Jesus. Atitudes de aceitação as encorajam a perguntar da direção que sua vida precisa tomar.
Jesus diz que somos sal da terra. Isto é, nossa característica é temperar a vida. Com alegria podemos apontar para veredas de luz. Como diz Pedro: Antes santifiquem Cristo côo Senhor em seu coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês (I Pedro 3.15).
P. em. Oziel Campos de Oliveira Jr – Palhoça/SC
ozieljrjr@hotmail.com
19 de set. de 2014
Edição 29 - Os desafios do estudo da Bíblia
Quem convive diariamente com sua Bíblia nem sempre se dá conta de que ela foi escrita há milhares de anos. Sem o perceber faz uma leitura seletiva dela, acolhendo o que entende e do que gosta, mas deixando de lado o que desagrada ou parece complicado. No entanto, ler a Bíblia assim não ajuda a amadurecer na fé em Jesus. E, maturidade é indispensável para enfrentar os desafios que cercam o povo de Deus nos dias de hoje. A seguir quero delinear três aspectos elementares que ajudam no estudo sério e consciencioso das Sagradas Escrituras:
1) Imagine a Bíblia como uma enorme pintura que retrata mais de um milênio da história de Deus com seu povo. Para compreender seus detalhes é preciso que, primeiro, tenhamos uma visão desta pintura toda. Precisamos entender o que une os 66 livros da Bíblia: a) Todos eles descrevem que o ser humano não corresponde ao propósito para o qual fora criado. Pelo contrário, mostram como ele vive em rebeldia constante contra seu Criador. b) A Bíblia também testemunha que Deus se curva com paciência sem igual sobre as suas criaturas rebeldes a fim de resgatá-las para ter comunhão com elas. Estas duas afirmações perpassam toda Bíblia até se cruzarem no Calvário: na morte e ressurreição de Jesus o amor de Deus alcança definitivamente a humanidade atolada no pecado e a resgata para a nova vida como filhos e filhas de Deus. Sem captar e acolher este panorama geral os mistérios da palavra de Deus jamais nos serão revelados.
2) Quem tem clareza e certeza deste panorama geral tira grande proveito em prestar atenção a detalhes do retrato que a Escritura faz. Pois, os profetas e apóstolos escreveram para pessoas de carne e osso que viviam numa época e em ambientes muito diferentes dos nossos. Fizeram-no na linguagem e usaram comparações que conheciam. Nas parábolas, por exemplo, Jesus recorreu ao cotidiano de criadores de ovelhas, agricultores e pescadores da Galileia. Assim, o olhar cuidadoso para o passado faz parte do nosso esforço de captar o que os autores queriam dizer aos primeiros ouvintes e leitores. Isto inclui o estudo das línguas nas quais a Bíblia foi escrita, a geografia, a cultura e a história dos tempos bíblicos. O Manual Bíblico da Sociedade Bíblica do Brasil reúne num livro acessível para qualquer leitor as principais informações garimpadas por estudiosos.
3) Mas saber detalhes sobre o contexto original da Bíblia ainda não nos dá compreensão do que ela tem a dizer a nós que vivemos dois mil anos depois numa sociedade urbana globalizada. Por isto é necessária uma terceira abordagem que identifica o que equivale em nossa cultura àquilo que a Bíblia ensina. Enquanto, por exemplo, não detectarmos que nosso coração é uma fábrica de desejos tão ambiciosos como o coração do povo de Babel, jamais compreenderemos como os nossos anseios, secretos ou declarados, destroem relacionamentos e comunhão. Ou, se vemos nos fariseus meros inimigos de Jesus, aquilo que o Mestre lhes disse jamais nos afetará. Quem, porém, percebe nas atitudes deles as dos “crentes” de hoje, descobrirá que nosso coração sabe cultivar a mesma vaidade piedosa. Lutero e Calvino não hesitaram em fazer estas atualizações ao expor a Bíblia, mas a grande maioria dos comentaristas modernos não se atreve a dar este terceiro passo. Por isto ajudam tão pouco as igrejas no seu testemunho concreto.
Encerro esta breve reflexão com a recomendação de um livro muito precioso: Timothy Keller: A CRUZ DO REI (Vida Nova/São Paulo. 2012). É um livro de leitura agradável e simples que guia o leitor pelo evangelho de Marcos. De modo singelo este pastor de Nova Iorque conecta cada passagem com o cenário bíblico maior; elucida aspectos importantes do contexto de então e atualiza a palavra para o ouvinte moderno. Além de fazer-nos atentar para o surpreendente testemunho do evangelista, também nos exercita nos passos de estudo bíblico acima descritos. Que o Espírito Santo nos dirija em nosso aprendizado. Amém.
Martin Weingaertner, diretor da FATEV
weingaertner.martin@gmail.com
1 de set. de 2014
Edição 28: Um Conceito Original de Ser Família
A compreensão estreita que vê a religião apenas como aquela que diz o “que pode” e “o que não pode”
interfere na maneira como compreendemos a vontade de Deus também a
respeito da família. A Bíblia não é um manual de instruções. Ela contém
princípios que nos revelam a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
E, o Apóstolo Paulo diz que esta é uma vontade que podemos experimentar.
Mas, isso depende de certo inconformismo com o “espírito da época” (Rm
12.2).
A vontade de Deus a respeito da família está revelada já no princípio
das Escrituras. Lemos em Gênesis 1.27 que “criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.
Diferente daquilo que costumamos ouvir, o Novo Testamento não revela
coisas diferentes, anulando a revelação do AT. A vontade de Deus
permanece a mesma. Jesus deixa isso muito claro quando, numa discussão
com os fariseus, faz uso daquilo que todos já sabiam: "Vocês não
leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por
essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os
dois se tornarão uma só carne’?” (Mateus 19.4-5).
Jesus não apresenta nenhuma reinterpretação para acomodar o texto e a vontade de Deus aos “novos tempos”. Ele apenas reafirma a revelação e a vontade original de Deus. Pois é isto que Cristo veio fazer: restaurar o mundo e o ser humano que encontram-se corrompidos pelo pecado. Jamais veremos Jesus justificando o pecado ou propondo uma releitura da Bíblia de modo que se encaixe melhor em nossos padrões.
As distorções, consequências do pecado, obviamente estão aí, por toda parte. Mas, Jesus não autorizou que nenhuma destas distorções fosse colocada como referência legítima para novos modelos. Ele sempre de novo apontou para o Pai, o Criador, a origem de tudo. Aquele cuja vontade é boa, perfeita e agradável! Viver segundo esta vontade é viver conforme a realidade que o Pai desejou!
O Senhor Jesus é aquele que redime também relacionamentos, lares, e famílias! Que possamos nos deixar transformar por sua graça e misericórdia, de modo que experimentemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para nossas famílias!
Jesus não apresenta nenhuma reinterpretação para acomodar o texto e a vontade de Deus aos “novos tempos”. Ele apenas reafirma a revelação e a vontade original de Deus. Pois é isto que Cristo veio fazer: restaurar o mundo e o ser humano que encontram-se corrompidos pelo pecado. Jamais veremos Jesus justificando o pecado ou propondo uma releitura da Bíblia de modo que se encaixe melhor em nossos padrões.
As distorções, consequências do pecado, obviamente estão aí, por toda parte. Mas, Jesus não autorizou que nenhuma destas distorções fosse colocada como referência legítima para novos modelos. Ele sempre de novo apontou para o Pai, o Criador, a origem de tudo. Aquele cuja vontade é boa, perfeita e agradável! Viver segundo esta vontade é viver conforme a realidade que o Pai desejou!
O Senhor Jesus é aquele que redime também relacionamentos, lares, e famílias! Que possamos nos deixar transformar por sua graça e misericórdia, de modo que experimentemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para nossas famílias!
16 de abr. de 2014
Edição 27: Chamados para supervisionar?
Deus chama todos os discípulos para trabalhar em seu Reino. Pedro refere-se a isto, quando ele apela aos “mais velhos” na fé para “pastorearem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados” (1 Pe 5.1-3).
O raciocínio do apóstolo é simples: à volta de alguém mais velho na fé sempre deveria haver quem está começando a caminhar com Jesus. Por isto recomenda “olhar” pelos irmãos, como no semi-árido da Palestina um pastor atenta para cada uma de suas ovelhas ou como pais amorosos olham por seus filhos pequenos. Não se pode fazer isto “por obrigação”, mas, sim, só “de livre vontade, como Deus quer”. Nem, “por ganância, mas com o desejo de servir”. Tal cuidado também não se exerce “como dominador”, mas
apenas “como exemplo”.
Nestas palavras Pedro passa adiante a tarefa que Jesus lhe havia dado (Jo 21). Ele menciona também quem pode exercê-la: todo aquele que for “testemunha dos sofrimentos de Cristo” e tiver certeza de “participar da glória a ser revelada”.
No entanto, na medida em que as primeiras igrejas cresciam, tornou-se necessário quem olhasse pela comunidade toda. Parece que em Filipos percebeu-se logo esta necessidade. Pois, poucos tempo depois de plantada, Paulo escreve aos filipenses: “Paulo e Timóteo, escravos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os supervisores e servidores” (Fp 1.1). Supervisor é a tradução literal da palavra grega 'episcopos' que originou nossa palavra 'bispo'. Anos mais tarde, ao despedir-se da liderança da igreja de Éfeso, Paulo também menciona esta função: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como supervisores, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28).
Por fim, Paulo descreve detalhadamente na carta a Timóteo as qualidades que se deve esperar desta liderança: “Se alguém deseja ser supervisor, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o supervisor seja irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, sensato, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade” (1Tm 3.1-3).
O padrão desta recomendação é deveras elevado. A atitude que recomenda podemos observar no próprio Paulo: a disposição de lutar consigo mesmo (“…esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado“ - 1Co 9.27) e para sofrer pelo evangelho (Ao convocá-lo o Senhor dissera: “Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome” - At 9.16; cf. 2Co 11). Neste perspectiva devemos entender o incentivo apostólico: “Se alguém deseja ser supervisor, deseja uma nobre função” (1Tm 3,1).
O raciocínio do apóstolo é simples: à volta de alguém mais velho na fé sempre deveria haver quem está começando a caminhar com Jesus. Por isto recomenda “olhar” pelos irmãos, como no semi-árido da Palestina um pastor atenta para cada uma de suas ovelhas ou como pais amorosos olham por seus filhos pequenos. Não se pode fazer isto “por obrigação”, mas, sim, só “de livre vontade, como Deus quer”. Nem, “por ganância, mas com o desejo de servir”. Tal cuidado também não se exerce “como dominador”, mas
apenas “como exemplo”.
Nestas palavras Pedro passa adiante a tarefa que Jesus lhe havia dado (Jo 21). Ele menciona também quem pode exercê-la: todo aquele que for “testemunha dos sofrimentos de Cristo” e tiver certeza de “participar da glória a ser revelada”.
No entanto, na medida em que as primeiras igrejas cresciam, tornou-se necessário quem olhasse pela comunidade toda. Parece que em Filipos percebeu-se logo esta necessidade. Pois, poucos tempo depois de plantada, Paulo escreve aos filipenses: “Paulo e Timóteo, escravos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os supervisores e servidores” (Fp 1.1). Supervisor é a tradução literal da palavra grega 'episcopos' que originou nossa palavra 'bispo'. Anos mais tarde, ao despedir-se da liderança da igreja de Éfeso, Paulo também menciona esta função: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como supervisores, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28).
Por fim, Paulo descreve detalhadamente na carta a Timóteo as qualidades que se deve esperar desta liderança: “Se alguém deseja ser supervisor, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o supervisor seja irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, sensato, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade” (1Tm 3.1-3).
O padrão desta recomendação é deveras elevado. A atitude que recomenda podemos observar no próprio Paulo: a disposição de lutar consigo mesmo (“…esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado“ - 1Co 9.27) e para sofrer pelo evangelho (Ao convocá-lo o Senhor dissera: “Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome” - At 9.16; cf. 2Co 11). Neste perspectiva devemos entender o incentivo apostólico: “Se alguém deseja ser supervisor, deseja uma nobre função” (1Tm 3,1).
- A história da ovelha perdida nos ensina algo sobre pastoreio na igreja?
- Quem olha pelo todo da sua comunidade?
- Como podemos tornar-nos uma igreja em que se pastoreia cada ovelha?
- Quem se dispõe à 'nobre função' de olhar por toda congregação?
P. Martin Weingaertner
weingaertner.martin@gmail.com
Faculdade de Teologia Evangélica de Curitiba
17 de fev. de 2014
Edição 26: Amor à vida e amor à Verdade
Uma novela chamada “Amor à Vida” está terminando. Sabemos que as novelas, principalmente aquela que vai ao ar no horário em que toda a família se encontra em casa, nos comunicam uma série de mensagens contrárias aos princípios bíblicos como: mentiras, traição conjugal, fornicação (sexo fora do casamento), adultério, prostituição, violência, etc. Porém, além dessas mazelas, “Amor à vida” enfatizou e transmitiu à família brasileira a ideia de que todos devem enxergar e aceitar, com toda naturalidade, o homossexualismo, o casamento gay e a formação de uma “família” com a adoção de filhos pelo “casal” gay.
Como sempre acontece nas novelas, tudo é programado e realizado dentro da mesma estratégia do Enganador (um dos nomes bíblicos do diabo): ideias transmitidas, com ou sem palavras, de maneira muito sutil, aumentando de intensidade gradativamente, temperadas com muito bom humor e envolvendo situações bem divertidas. Assim é feito para que a mensagem vá entrando bem devagar e repetitivamente no coração e na mente dos telespectadores a fim de não encontrar resistência e, depois de algum tempo, a mentira seja aceita como verdade e a verdade seja batizada de “preconceito”, “homofobia” ou outros termos considerados politicamente corretos.
No ano da Copa, podemos dizer que a Rede Globo, através dessa novela, fez mais um belo gol sobre os times das Igrejas Evangélicas e Católicas que professam o mesmo Novo Testamento, e por isso conhecem o Senhor e a verdade, mas que ainda aceitam passivamente todo o lixo televisivo que, diariamente, é despejado em nossos lares. A grande maioria de nós que batemos no peito nos identificando como cristãos, ao mesmo tempo, negligenciamos a ordem de Cristo para combater as mentiras deste mundo, vivendo e proclamando, com amor, as verdades da Palavra de Deus (a Bíblia), ainda que vá de encontro ao que parece ser normal para a sociedade. Porque está determinado que as novelas, as pessoas, o céu, a terra, tudo vai passar, “mas a Minha Palavra”, diz o Senhor, “permanecerá para sempre”.
A mensagem das novelas é sempre a mesma: “ame e aproveite a vida, de qualquer jeito, custe o que custar, usando as pessoas e aceitando qualquer tipo de amor”. A Bíblia, porém, nos diz que o convite do “Amor à vida” é incompleto e, por isso, perigoso. O verdadeiro amor à vida depende do amor ao Senhor Deus, o Criador da vida, que se revelou em Jesus Cristo, o qual nos alerta na Sua Palavra: “quem amar o mundo, a vida, a seu pai ou a sua mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim.”
Quem aprende a obedecer a Palavra de Deus, por amor a Cristo, torna-se livre para amar a vida, pela certeza da vida eterna depois desta vida, e aprende a diferenciar a verdade da mentira assim como a mão direita da esquerda.
Como sempre acontece nas novelas, tudo é programado e realizado dentro da mesma estratégia do Enganador (um dos nomes bíblicos do diabo): ideias transmitidas, com ou sem palavras, de maneira muito sutil, aumentando de intensidade gradativamente, temperadas com muito bom humor e envolvendo situações bem divertidas. Assim é feito para que a mensagem vá entrando bem devagar e repetitivamente no coração e na mente dos telespectadores a fim de não encontrar resistência e, depois de algum tempo, a mentira seja aceita como verdade e a verdade seja batizada de “preconceito”, “homofobia” ou outros termos considerados politicamente corretos.
No ano da Copa, podemos dizer que a Rede Globo, através dessa novela, fez mais um belo gol sobre os times das Igrejas Evangélicas e Católicas que professam o mesmo Novo Testamento, e por isso conhecem o Senhor e a verdade, mas que ainda aceitam passivamente todo o lixo televisivo que, diariamente, é despejado em nossos lares. A grande maioria de nós que batemos no peito nos identificando como cristãos, ao mesmo tempo, negligenciamos a ordem de Cristo para combater as mentiras deste mundo, vivendo e proclamando, com amor, as verdades da Palavra de Deus (a Bíblia), ainda que vá de encontro ao que parece ser normal para a sociedade. Porque está determinado que as novelas, as pessoas, o céu, a terra, tudo vai passar, “mas a Minha Palavra”, diz o Senhor, “permanecerá para sempre”.
A mensagem das novelas é sempre a mesma: “ame e aproveite a vida, de qualquer jeito, custe o que custar, usando as pessoas e aceitando qualquer tipo de amor”. A Bíblia, porém, nos diz que o convite do “Amor à vida” é incompleto e, por isso, perigoso. O verdadeiro amor à vida depende do amor ao Senhor Deus, o Criador da vida, que se revelou em Jesus Cristo, o qual nos alerta na Sua Palavra: “quem amar o mundo, a vida, a seu pai ou a sua mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim.”
Quem aprende a obedecer a Palavra de Deus, por amor a Cristo, torna-se livre para amar a vida, pela certeza da vida eterna depois desta vida, e aprende a diferenciar a verdade da mentira assim como a mão direita da esquerda.
Alexandre Fonseca de Melo
alexandrefonsecam@yahoo.com.br
18 de dez. de 2013
Edição 25 - 17 de dezembro de 2013
A palavra de Deus interage com a cultura dos relacionamentos a fim de moldar e conformá-los aos propósitos do Criador
Quem reflete sobre a orientação que a palavra de Deus dá para o casamento não deve imaginar que ela não leve em conta as mudanças culturais pelas quais os relacionamentos conjugais passaram no decurso dos séculos. A palavra e obra de Deus não impõem um modelo de casamento autoritariamente. Mas o Senhor quer que lhe demos ouvidos e aprendamos da palavra registrada na Bíblia.
O Antigo Testamento retrata como os patriarcas e, mais tarde, o povo de Israel viveram num ambiente em que a poligamia era difundida e culturalmente aceita. É importante observar como a palavra de Deus interage com este contexto: Por um lado ela não oculta nem omite as dores e amarguras dos relacionamentos polígamos[1]. Por outro lado, introduz leis que regulam os relacionamentos e que protegem as esposas (e escravas).[2] Assim o amor de Deus foi inibindo a poligamia e favorecendo a monogamia[3] .
No debate com os fariseus em Mateus 19 Jesus lembra Gênesis 1 e 2 para reafirmar o propósito do Criador com o casamento. Em sua carta aos Efésios (5.21(!)-33) Paulo ensina que o relacionamento conjugal é moldado pelo amor mútuo entre Cristo e a igreja. Portanto, a opção pela monogamia vitalícia é uma decorrência prática e lógica deste amor. Mesmo assim a igreja do Novo Testamento não excluiu da igreja os polígamos que se convertiam, apenas impediu que eles exercessem funções de liderança nela[4] .
Vemos que a palavra de Deus não se impõe “na marra”, mas ela se comunica com a realidade humana tal qual ela é. A Sagrada Escritura não ignora os moldes culturais, mas interage com eles a fim de gerar as mudanças que correspondam ao propósito Criador. O meu professor de aconselhamento, Manfred Seitz, resumiu este direcionamento de modo muito conciso em cinco “diretrizes bíblico-teológicas sobre o casamento:
1) No casamento Deus une duas pessoas concretas – um homem e uma mulher – num pertencimento
2) Por esta união eles estão vinculados enquanto viverem. Portanto: ela não é união temporária, pois, o que seria uma promessa de amor com duração limitada?
3) Os cônjuges reconhecem estarem destinados um ao outro na totalidade de seu gênero. O casamento não é apenas um estágio inicial da família.
4) A esta união é prometida a bênção de gerar nova vida. Ao contrário de antigamente – quando ela era óbvia – em nossos dias a tarefa de procriar precisa ser mencionada explicitamente.
5) Em tudo isto o casal é chamado do pecado e da alienação de Deus para a graça e para a comunhão com o Senhor, o fiador da sua estabilidade, que promete renová-los na intimidade do casamento.
Esta é a visão cristã: o casamento não é a realização da vida, nem a superação e eliminação do todos chamado para a comunhão vitalícia com uma pessoa específica que se doa por completo; - como estado é um espaço para exercitar a fé, a esperança e o ágape (=amor abnegado) que excede o espaço do (próprio) casamento, o que inclui assumir responsabilidade pelo futuro da terra através do consentimento (em querer ter) filhos e na disposição para (assumir) restrições e renúncia; - como lugar (é) o lugar no qual o chamado de Deus alcança quem se tronou cônjuge.
os problemas, mas - é o
A isto corresponde que… o amor, em sua confiabilidade e fidelidade, almeja “moldar-se institucional- jurídica-publicamente”. O amor conjugal necessita de uma continuidade temporal que protege os próprios cônjuges e os filhos e que não esteja sempre prestes a colapsar. Em situações críticas os cônjuges podem apegar-se ao 'saldo positivo (de amor) prometido pela palavra de Deus' (O. Bayer)”[5]
Quem der ouvidos ao que ensina a Escritura e dela aprender, discernirá o direcionamento que Deus nos dá em meio ao conturbado cenário de relacionamentos da nossa sociedade. Não fecharemos os olhos para o fato de que muitos desconhecem ou ignoram o propósito divino. Olharemos para esta realidade sem moralismo, mas também sem ocultar as muitas feridas visíveis e ocultas. Ao mesmo tempo indicaremos com nossa vivência conjugal o caminho do enfrentamento do nosso egoísmo nato e da restauração para o qual o evangelho convida. A obediência que vem da fé[6] ajuda a despoluir e a reconstruir a vida e também os relacionamentos conjugais.
P. Martin Weingaertner, Curitiba
weingaertner.martin@gmail.com
[1] Abraão/Sara/Hagar – Gn 16-21; Jacó/Lia/Raquel/Bila/Zilpa – Gn 29-30; Sansão – Jz; o levita e a concubina – Jz 19; Elcana/Ana/Penina – 1Sm 1-2; Davi – 1-2 Sm ; Salomão – 1 Rs; etc..
[2] Lv 19.20s; 20.10ss; Dt 22.13ss; 21.10s.
[3] “Esposa/marido da juventude” (Pv 5.18; Is 54.6; Ml 2.14s.; Jl 1.8) e “meu marido” (Os 2.16).
[4] 1Tm 3.2; 5.9; Tt 1.6.
[5] SEITZ, Manfred: Die Ehe im Spiegel der Liturgie de Trauung. Em BAYER, Oswald (org) : EHE, Zeit zur Antwort, p.110s. Neukirchner Verlag / Neukirchen-Vluyn. 1988. ISBN 3-7887-1275-9
[6] Cf. Rm 1.5; 16.26
17 de dez. de 2013
24 de out. de 2013
Edição 24 - Em Deus experimentamos coisas que a razão desconhece
23
de outubro de 2013
Em
Deus experimentamos coisas que a razão desconhece
“a farinha da vasilha não se
acabou e o azeite na botija não se secou” 1 Reis
17.16
Na Bíblia há uma pequena história, mais
ou menos, assim: Uma jovem viúva, com um filho ainda pequeno, vive o drama da
falta de comida num período de seca e escassez. Quando estão no limite da
sobrevivência, aparece um forasteiro, que lhe pede água e comida. Após hesitar
um pouco e, mediante a promessa do forasteiro, ela cede ao pedido e oferece o
que poderia ser a última refeição da sua família. Por intervenção divina aquela
pequena refeição durou vários dias até o fim da seca, conforme a promessa do
forasteiro. No entanto, algo mais dramático estava por acontecer... O filho
desta jovem viúva adoeceu e veio a morrer. A indignação tomou conta da viúva e
do forasteiro. Porém, novamente o Deus a quem o forasteiro servia, agiu e
trouxe o menino de volta.
Um
conto de fadas?
Esta
é a história do profeta Elias e a viúva de Sarepta (1 Reis 17.7-24). É uma daquelas histórias, que talvez muitos, numa
leitura superficial, classificariam como mito, conto de fadas ou ficção. Pois
há nela dois fatos que escapam da lógica e da razão humana. Uma pequena
refeição (um pouco de farinha e azeite) que duram vários dias e a ressurreição
de um menino. Porém há muita coisa na minha e na tua vida, que poderiam ser
classificadas como mito, conto de fadas ou ficção. Ou seja, coisas que a pobre
razão humana desconhece.
Quem
já se deixou levar pela fé e pelas batidas do coração, sabe que existem mais
coisas na vida do que o cérebro pode entender. Seja a história de Elias e a
Viúva de Sarepta, ou qualquer outra história da Bíblia, ou até mesmo histórias
da nossa vida, precisamos ouvi-las, com a razão, com a fé e com a emoção. Se
você tirar uma destas dimensões, a história ficará incompleta. Por isso, minha
intenção e a minha oração não é que você termine de ler este artigo e se sinta
confortável diante de Deus, mas que você deseje saber mais, deseje arriscar
mais e viver mais pela fé.
Não
pretendo esgotar a história de Elias e a viúva, pois ela é a história de uma
vida, a vida de todos nós. Nesta história vemos pessoas sendo chamadas por Deus
e sendo obedientes a Ele. Vemos o encontro e transformação de pessoas, vemos
dificuldades e desafios, milagres e lamento, dor e morte, mas vemos também a
ressurreição. Ou seja, é uma história completa. Mas quero olhar um pouco para a
perspectiva da viúva.
A perspectiva da viúva
Certamente,
nenhum de nós tem em casa apenas um punhado de farinha e um pouco de azeite. Em
termos de comida, todos nós temos mais do que precisamos. Mas era o que aquela
viúva tinha. Você consegue se colocar no lugar desta mulher? Ela já não tinha
quase nada, aí chega Elias, um cara que tinha menos do que ela.
Confesso
que fico constrangido diante desta cena, por dois motivos: primeiro, por que
Elias era um homem de Deus, no entanto não tinha absolutamente nada além da fé
e do temor a Deus (um grande contraste em relação aos profetas do nosso tempo,
que andam de jatinho particular e moram em mansões!). O segundo motivo do meu
constrangimento, é pela atitude da viúva que, mesmo tendo tão pouco, ainda
compartilhou o que tinha. Isto sempre me deixou pensativo, como alguém pode
compartilhar a sua última refeição?
Há
uns dois anos eu conversei com um líder de um grupo de cavaleiros em
Joinville/SC. Ele disse que, às vezes, seu grupo fazia cavalgadas pela cidade
para arrecadar alimentos e roupas para entidades beneficentes. Segundo ele, os
bairros mais pobres eram os que participavam mais. Parece-me que quem já passou
frio e fome, sabe compartilhar melhor o que tem. Talvez isso explique um pouco
o desprendimento desta viúva.
Uma
motivação mais poderosa
Mas
há uma motivação maior e mais poderosa em tudo isso: a fé. Tanto o profeta como
a viúva ousaram colocar sua situação nas mãos de Deus. Fé, não é acreditar em
mágica, é confiar na ação do Deus criador, que pela sua Palavra fez tudo o que
existe. Se fez o que fez pela Palavra, imagine o que pode fazer com um punhado
de farinha e um pouco de azeite!
Qual
é a farinha e o azeite que você tem e ainda não colocou nas mãos de Deus? Em
que você se agarra, dizendo isso aqui é meu? Você vai morrer e levar junto? Não
se preocupe não estou pedindo dinheiro nem, tão pouco, dizendo para dar tudo o
que tem. Mas a Bíblia nos ensina que nada nos pertence; e a vida nos ensina que
nu viemos e nu partiremos.
A
viúva compartilhou o pouco que tinha. Se Deus o multiplicou 30, 50 ou mais
vezes, não foi para enriquecer nem a viúva, muito menos o profeta. Foi para
eles terem o suficiente para comer. Quando alguém doa, esperando o retorno de
Deus, ou está sendo enganado, ou é ganancioso. Dar, esperando algo em troca,
não é dar, mas negociar. Colocar a sua farinha e o seu azeite nas mãos de Deus,
também não é sair dando o que você tem a qualquer louco que pedir. Pelo
contrário é colocar tudo o que tem à disposição do Senhor que lhe dará
discernimento e oportunidade de compartilhar com quem necessita, a exemplo da
viúva de Sarepta.
Para refletir:
Qual é a farinha e o azeite que você tem e ainda não
colocou nas mãos de Deus?
Miss.
Oziel Gustavo Marian,
Chapadão do Céu (GO)
Editorial: O
Boletim Virtual Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação
Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus. A edição é quinzenal e pode ser usado tanto para a reflexão pessoal
como em grupos de estudo. É livre para distribuição
3 de out. de 2013
Edição 23 - Por que orar por vocações?
01
de outubro de 2013
Por
que orar por vocações?
Ao ver as multidões sem rumo, Jesus
comentou que “a colheita é grande,
mas poucos os trabalhadores”. Por isto ordenou aos discípulos que orem para
o Pai enviar trabalhadores para a colheita (Mateus 9.36ss.; confira Marcos
6.34).
Os doze jamais deveriam apropriar-se
desta tarefa e pensar que dariam conta do recado! Este é o contexto da ordem
que Jesus deu, antes de subir ao céu, a todos que lhe seguiriam: “…ao caminharem (pela vida)
façam discípulos de todas as nações…” (Mateus 28.19). A tarefa missionária não
seria dos doze, mas envolveria todos os discípulos, pois quem segue a Jesus é
chamado a trabalhar pelo seu reino.
Com acerto Lutero, em seu livreto “Da
liberdade cristã”, percebeu que, ao salvar-nos, Cristo nos faz participar do
seu domínio sobre o mundo. Não precisamos temê-lo, por mais que nos ameace! Além
disto, Jesus nos permite chegar à presença de Deus. Quem foi abraçado pelo Pai
pode interceder por seus irmãos e ensiná-los o amor que experimenta. Esta é a
vocação de todo cristão!
Em todos os tempos Deus separou alguns
para dispor-se a trabalhar com dedicação exclusiva na sua obra. Não o faz para
dispensar os demais irmãos da sua tarefa, mas para dar-lhes retaguarda! Foi por
isto que Deus fez Elias voltar do monte Horebe e o lembrou dos sete mil que “não
dobraram seus joelhos a Baal” (1 Reis
19)! Reconvocado para a obra deveria fazer o que Jesus ordenaria a Pedro:
“E quando você se converter, fortaleça os seus irmãos” (Lucas 22.32).
Eliseu arava a
sua lavoura, quando o Senhor o desafiou a largar seu arado, abrir mão do
aconchego da sua família e ir onde quer que o enviasse (1Reis 19).
Há 200 anos o agricultor
norueguês Hans Nielsen Hauge
(1771-1824) também lavrava seu campo, quando Deus o convocou. Em sete anos
peregrinou 20.000 km a pé pelo seu país e falou do amor de Jesus a quem
encontrasse. Por obedecer ao seu chamado passaria sete anos na prisão, boa
parte em cela solitária. Mais tarde ainda seria condenado a mais dois anos de trabalhos
forçados.
Como no passado Deus continua a chamar
para este trabalho de retaguarda. Se você ama a Jesus e lhe é grato pela sua
salvação, então olhe para as multidões que são “como ovelhas sem pastor”,
peça que o Senhor encha seu coração de paixão pelos perdidos e pergunte a ele:
"Como queres que eu te sirva?"
Você não ouve resposta?
Então aquiete-se e fique atento! A
resposta de Deus não tarda, a não ser que você não admite que ele possa tirar
você do seu 'arado'.
P. Martin Weingaertner
Faculdade de
Teologia Evangélica de Curitiba
Editorial: O
Boletim Virtual Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação
Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
A edição é quinzenal e pode ser usado tanto para a reflexão pessoal
como em grupos de estudo.
É livre para distribuição.
18 de set. de 2013
Edição 22 - Temam a Deus e honrem o rei - Confissão de Barmen: artigo 5
17
de setembro de 2013
Temam
a Deus e honrem o rei
O
quinto artigo da Confissão de Barmen
“Temam a Deus e
honrem o rei” - 1 Pedro 2.17
A Escritura nos
diz que, segundo a providência divina, o estado tem a tarefa de zelar pelo
direito e pela paz, ameaçando e recorrendo ao uso da força, no mundo ainda não
remido, no qual também a igreja se encontra, na medida da compreensão e da
capacidade humanas. A igreja reconhece com gratidão e respeito a Deus pelo bem
desta sua incumbência. Ela aponta para o Reino de Deus, para o mandamento de
Deus e a sua justiça e, com isto, para a responsabilidade de governantes e
governados; ela confia e obedece movida pela palavra pela qual Deus sustenta
todas as coisas.
Condenamos a
falsa doutrina de que, além desta incumbência específica, o Estado possa
pretender ser a ordem única e total da vida humana, assumindo também a
incumbência da igreja. Condenamos a falsa doutrina de que a igreja, indo além
de sua incumbência específica, possa assumir características, tarefas e dignidade
do estado, tornando-se ela própria órgão do estado.
Para melhor
entender o enunciado acima, precisamos deixar claro, o que é o ESTADO. O Estado,
como tal, é necessário para a boa ordem na sociedade. Os autores desta
Declaração Teológica não questionam a sua existência. Deixam claro, no entanto,
que o Estado não é uma grandeza em si mesmo. Ele é composto de Governo (autoridades
constituídas) e a Nação (os governados). Sempre que o Governo de um Estado se
arroga o direito de ser dono da Nação, ele ultrapassa a sua incumbência
específica, que é promover a paz social e a segurança da Nação (zelar pelo direito e pela paz).
Portanto, o Governo sempre está em função da Nação e nunca o contrário.
De outra parte, a
Igreja como instituição e como povo de Deus possui uma dupla incumbência:
1. Colaborar com as
autoridades legitimamente constituídas na promoção do bem estar e da paz
social. Para tanto ela pode livremente assumir, ao lado de sua missão
religiosa, tarefas sociais, filantrópicas e educacionais em parceria (ou não)
com o governo. A Igreja, a rigor, deve formar o caráter justo e pacífico dos
cidadãos que o país necessita, pois toda pessoa cristã é portadora de uma dupla
cidadania: é cidadã de seu país e cidadã do Reino de Deus.
2. A Igreja possui
ainda uma segunda função: sua tarefa profética. Além da obediência às
autoridades legitimamente constituídas, ela precisa de discernimento para “dar
a César o que é de César; a Deus o que é de Deus”. Às palavras bíblicas: “temam a Deus e honrem ao rei” (1 Pedro 2.17), devem ser vistas na totalidade deste
versículo que afirma: “Tratem a todos com o devido respeito: amem
os irmãos, temam a Deus e honrem ao rei”. A política tem contornos maiores
que “Deus e César”. À Nação cabe o que é devido à Nação: o direito de ser
governada com justiça e paz e não abusada pelo poder governamental.
O Estado não é
divino nem é dono da Nação. Quando um Governo se arroga ser dono da Nação,
ultrapassando seus limites, cabe à Igreja cumprir a sua função profética de alertar
e denunciar estes desmandos. Ela cumprirá sua função profética, aliando-se às
forças vivas da sociedade civil. Afinal, o sopro do Espírito do Senhor não está
restrito aos corredores da religião organizada. Ele sopra onde quer e desperta
pessoas onde quer para cumprir a sua missão. Onde a Igreja negligencia sua
função profética ela torna-se refém do Estado, e deixa de ser Igreja cristã.
Para refletir:
Tirando lições
para o exercício da cidadania no Brasil.
1. Onde está a voz
profética da Igreja diante de uma estrutura de poder que privilegia três
segmentos da sociedade: a) a alta cúpula do poder executivo, judiciário e
legislativo; b) a classe dos ricos empresários da indústria, do comércio, da
agricultura e dos serviços; c) as grandes corporações religiosas e filantrópicas.
Estes usufruem vantagens e isenções, mas
quem paga a conta é o povo trabalhador extorquido em seus direitos. A Constituição Federal de 1988 afirma que
todos são iguais perante a lei. Então, por que a lei não é igual para todos?
2. De que maneira a
Igreja pode formar os cidadãos que a Nação necessita?
P. Arzemiro Hoffmann, Licenciatura Plena em Filosofia e Mestrado
em Teologia.
Professor de Missiologia na FATEV em Curitiba.
3 de set. de 2013
Edição 21 - Não há hierarquia na igreja de Cristo - Confissão de Barmen: Artigo 4
03
de setembro de 2013
Não
há hierarquia na igreja de Cristo
O
quarto artigo da Confissão de Barmen
“Jesus chamou seus discípulos e lhes disse: Vocês sabem que os
governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre
elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quiser tornar-se importante
entre vocês deverá ser servo”. Mateus 20.25-26
Os diversos cargos na igreja não estabelecem o
domínio de um sobre os outros, mas servem ao exercício do serviço ordenado a
toda a comunidade.
Condenamos a falsa doutrina de que na igreja à
margem deste serviço, pudessem existir ou serem impostos líderes investidos do
direito de dominá-la.
O artigo 4º da Confissão de Barmen aponta para um
dos ensinos principais do Novo Testamento e que se constituiu como um dos
pilares da reforma luterana, a saber, o sacerdócio geral de todos os crentes.
Voltando à Bíblia, Lutero questionou a divisão entre clero e leigos. Na Idade
Média desenvolveu-se a idéia de que os sacerdotes, dotados de dignidade e direitos
especiais, se distinguem dos demais cristãos. Assim, aos poucos, eles
adquiriram poder sobre a vida dos demais cristãos estabelecendo uma hierarquia.
Os 'leigos' tornaram-se sempre mais dependentes da ministração dos sacerdotes
para receberem a graça de Deus e, em última análise, a própria salvação. Tanto
a pregação do Evangelho, quanto a administração dos sacramentos e o governo da
igreja passaram a ser direito exclusivo da classe sacerdotal.
Em contraposição com esta compreensão hierárquica
milenar que dominava a igreja de Cristo, Lutero entendeu que os ministros não
são uma classe privilegiada em relação aos demais membros do Corpo de
Cristo. Todo cristão é um sacerdote (1 Pedro 2.9 e Apocalipse 1.6), o que lhe confere a mesma dignidade.
O resgate dessa verdade bíblica por parte do
reformador produziu uma “verdadeira revolução” na igreja de Cristo. Os ofícios
sacerdotais de anunciar a palavra e de interceder diante de Deus passaram a ser
de direito comum de todos os cristãos, e não a prerrogativa especial de uma
casta seleta dos ordenados. O rito da
ordenação não promove ninguém a um patamar superior de cristianismo. Ele não
habilita a exercer poder sobre o povo de Deus, mas comissiona um irmão mediante
a oração, a leitura das Escrituras e a imposição de mãos, para servir à
congregação e não a si mesmo. Por isso, quem é eleito para uma função de
direção seja numa comunidade local, seja a nível regional ou nacional da
igreja, precisa entender que foi chamado para servir. Este princípio do sacerdócio
de todos os crentes libertou os seguidores de Jesus do temor e da dependência
do clero.
Com isso, tanto os ministros ordenados como os
presbíteros eleitos estão desautorizados a exercerem suas funções como
dominadores ou chefes do rebanho de Deus (1
Pedro 5.1-3). Exercer seu ministério deste modo representa um retorno ao
sacerdotalismo medieval contra o qual Lutero e os demais reformadores se
insurgiram. Pois o cabeça da igreja é Cristo, ninguém mais. Quem, portanto, se apropria da liderança,
contradiz o ensino das Escrituras e ofusca o senhorio de Cristo! Pois as
diferentes tarefas na igreja devem ser partilhadas por todos os membros do
Corpo de Cristo, resgatados que foram das trevas para a luz, para exercerem os
dons e aptidões que o Senhor lhes concedeu.
Para refletir:
- Você considera que o alerta do artigo 4º da
Declaração de Barmen (“entre vós não será assim”) ainda é atual?
- De que forma você pode servir a Deus e ao
próximo a partir da compreensão do sacerdócio geral de todos os crentes?
- Com que espírito aqueles
que estão em função de liderança no Corpo de Cristo deveriam desempenhar
suas funções?
P.
Sigolf Greuel – Florianópolis, SC
Editorial: O
Boletim Virtual Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação
Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
A edição é quinzenal e pode ser usado tanto para a reflexão pessoal
como em grupos de estudo.
É livre para distribuição.
Assinar:
Postagens (Atom)





.jpg)
