21 de ago. de 2013

Edição 20 - Jesus Cristo tem a última palavra na Igreja - Confissão de Barmen - Artigo 3

21 de agosto de 2013

Jesus Cristo tem a última palavra na Igreja
O terceiro artigo da Confissão de Barmen

“Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor.” Ef 4.15-16

A igreja cristã é uma comunidade de irmãos na qual Jesus Cristo está presente e atua na palavra e no sacramento pelo Espírito Santo. Em meio ao mundo do pecado esta igreja de pecadores agraciados, deve testemunhar com sua fé e obediência, com sua mensagem e organização, que ela é unicamente propriedade de Jesus Cristo e que vive e deseja viver na espera da sua volta unicamente do seu consolo e da sua orientação.

Condenamos a falsa doutrina de que a igreja possa adequar a forma da sua mensagem e da sua organização aos caprichos ou às variações das convicções ideológicas e políticas ora dominantes.

A terceira tese da Confissão de Barmen trata da concepção de Igreja. Para Karl Barth e os demais autores, a Igreja é a “comunidade de irmãos na qual Jesus Cristo está presente e atua”. Esta declaração foi fundamental, tendo em vista o contexto de então. Naquela época, os “cristãos nazistas” realizavam o esforço de adequarem a mensagem da Igreja à ideologia nacional-socialista e a organização da mesma ao princípio do líder (Führer). Neste sentido, a Declaração Teológica de Barmen condena estes procedimentos e reafirma o testemunho bíblico-reformatório sobre o que vem a ser Igreja e como ela se apresenta ao mundo.

         O que significa, contudo, ser “uma comunidade de irmãos na qual Jesus Cristo está presente e atua”? Quando procuramos compreender esta afirmação, somos lembrados da palavra de Jesus: um só é Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos (Mateus 23.8). Ou seja, em primeiro lugar, somente Jesus Cristo tem a última palavra na Igreja. Ele é o Mestre! Por mais importante que sejam os credos, os dogmas e as confissões, os documentos normativos, enfim, toda a tradição teológica e eclesiástica que a Igreja acumulou ao longo de sua existência, nada disto tem, nem de longe, o mesmo peso que a palavra de Jesus Cristo, testemunhada nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento. Em segundo lugar, ela é a comunidade de pessoas – homens e mulheres – que estão na mesma condição diante de Deus, pecadores agraciados, que recebem o convite para se relacionarem entre si como iguais, isto é, como irmãos, ainda que diferentes em dons (1Coríntios 12) e talentos (Mateus 25). Em função disso, a Igreja é o lugar privilegiado para se exercitar a palavra de Jesus: não será assim entre vocês (Mateus 20.26). O cultivo de hierarquia e de linha de comando (um manda e outro obedece sem questionar) pode pertencer à sociedade, mas não à comunidade dos irmãos.

         Além disto, a Declaração de Barmen nos lembra que vivemos “em meio ao mundo do pecado”. Consequentemente, sofremos pressões que vem de dentro e de fora da Igreja, no sentido de diluir a sua mensagem e a sua organização “aos caprichos e variações das convicções ideológicas” de nossos dias. Algumas dessas pressões nós identificamos com facilidade, tais como “todos os caminhos levam a Deus”; outras, nem tanto, como por exemplo, o uso do Evangelho para interesses financeiros e de auto-ajuda. Por isso, os autores da confissão de Barmen nos encorajam a caminharmos como Igreja que pertence unicamente a Jesus Cristo “e que vive e deseja viver na espera da sua volta unicamente do seu consolo e da sua orientação”.

         Vale a pena refletir: 
  1. O que hoje ameaça nossa igreja, no sentido de impedir que ela seja exclusivamente propriedade de Cristo?  
  2. Como podemos evitar que as pressões culturais, ideológicas ou políticas moldem a igreja e destruam sua identidade?
  3. Como se manifesta concretamente que somos, de fato, uma comunidade de irmãos e irmãs?
 P. Dr. Mário Francisco Tessmann – Curitiba/PR



Editorial: O Boletim Virtual  Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
A edição é quinzenal e pode ser usado tanto para a reflexão pessoal como em grupos de estudo.
É livre para distribuição.

17 de ago. de 2013

Edição especial – Manifesto pela fidelidade ao Evangelho - Declaração dos Obreiros do ME

16 de agosto de 2013

CHAMADOS À FIDELIDADE AO EVANGELHO
Uma igreja da reforma sempre vive em reforma

Somos profundamente gratos a Deus pela vocação com a qual ele nos agraciou e através da qual ele nos chama para sermos dele e para ele. Somos igualmente gratos que esta acolhida de Deus acontece na vida em comunidade e temos o privilégio de vivê-la no âmbito da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), à qual pertencemos, na qual atuamos e com cuja profissão de fé nos identificamos (Constituição da IECLB art. 5º).  Ela aponta para a graça em Cristo que é recebida em fé, está baseada nas Escrituras, é vivida em comunidade e se expressa no testemunho e na vida em sociedade.

Como herdeiros da reforma, afirmamos e praticamos o sacerdócio geral de todos os crentes. Por isso buscamos engajar os membros do corpo de Cristo no serviço na igreja de acordo com os dons que receberam do Espírito Santo. Afirmamos o serviço missionário e diaconal como forma de viver e proclamar o evangelho integral.

Ao vivermos a nossa vocação no âmbito da IECLB, percebemos sinais que nos preocupam e para os quais queremos chamar a atenção. Ainda que inconformados com isto, reiteramos nosso compromisso com o testemunho de fé dos reformadores (Catecismo Menor e Confissão de Augsburgo). Queremos buscar por espaços para viver esta convicção de fé e chamar a igreja a voltar para ela.

Entre as nossas preocupações, destacamos os seguintes aspectos:

 1.  Vivemos numa igreja que está se apequenando e se tornando irrelevante no contexto religioso e social brasileiro;
2.  Estamos preocupados com a aceitação do ensino de que muitos caminhos levam a Deus, ou seja, que nega a exclusividade de Cristo;
3.  Percebemos que se vivencia hoje na igreja uma relativização da autoridade das Escrituras;
4.  Apontamos também para a relativização da ética que desestrutura e desfigura especialmente a família. Este cenário gera posições confusas e até ambíguas na IECLB quanto à sexualidade humana. Estas, por sua vez, se refletem na insegurança e incapacidade de comunidades e ministros tratarem a crise do casamento e da família;
5.  Experimentamos um desempoderamento das nossas comunidades locais e, ao mesmo tempo, uma centralização que coloca as comunidades a serviço da estrutura e as cerceia, bem como seus ministros, em torno de uma uniformidade de atos, gestos e ritos;
6.  Inquieta-nos a crise vocacional e missionária na igreja.

À luz destes sinais preocupantes que descaracterizam nosso próprio jeito histórico de ser igreja evangélica, reafirmamos a nossa fé e gestamos um renovado compromisso em torno das seguintes afirmações:

1.  Cremos que Cristo é o caminho, a verdade e a vida, a revelação definitiva e suficiente de Deus (João 14.6);
2.  As Escrituras são a nossa norma de fé e vida e de ministério, que se interpreta a si mesma, assim como afirmado pelos reformadores (1Coríntios 15.3-4);
3.  A fé cristã se vive em comunidade fraterna que recebe e interpreta a Palavra, e, ainda que formalmente autônoma, vive em parceria com outras comunidades irmãs e serve a Deus em seu contexto (Filipenses 2.1-4);
4.  A fé é dom gracioso de Deus que implica em obediência individual e coletiva. Cada cristão é chamado a obedecer ao mandamento de Deus em todos os âmbitos de sua vivência (Gálatas 5.24). No âmbito comunitário cremos que a obediência produz uma prática missionária de natureza evangelística e diaconal (Atos 1.8).

Nós cremos que a Igreja precisa estar constantemente comprometida com a vivência e pregação do Evangelho que gera uma igreja contextualizada, aberta e acolhedora.

Encontro de Obreiros do Movimento Encontrão
Florianópolis, 14 de agosto de 2013

6 de ago. de 2013

Edição 19 - É preciso explicar nossa fé! - Confissão de Barmen - Artigo 2

06 de agosto de 2013

É preciso explicar nossa fé!
O segundo artigo da Confissão de Barmen
De acordo com o diagnóstico, o remédio. Quando se tratam dos males do mundo, já foram elaboradas muitas receitas que prometeram a solução. No tempo da elaboração da Confissão de Barmen o ateísmo reinante foi um solo fértil para a ideologia nacionalista de Hitler apresentar-se como tábua de salvação para a Alemanha. O “salvador” afirmava que o problema era os judeus exploradores, além de deficientes físicos ou mentais, numa lista gigantesca de pessoas que não se enquadravam no padrão da nova ordem mundial ariana. O comunismo, só para citar outro exemplo ideológico, afirmava que o problema do mundo era o capital, a luta de classes e a propriedade privada. Em nome da solução, os opositores do sistema foram mortos e perseguidos.
Toda ideologia interpreta o problema do mundo com uma proposta de solução. Elas até percebem corretamente alguns aspectos dos males do mundo, mas nenhuma é completa e definitiva. E a razão é muito simples: elas pressupõem que o ser humano é bom e, por isto, não levam realmente a sério o que a Bíblia chama de pecado. Assim projetam o problema do mundo para fora do ser humano ou culpam apenas um grupo humano, ou ainda o limitam a alguns aspectos da natureza humana.
Como cristãos, não somos apolíticos, não hostilizamos as ideologias ou nem ignoramos os conflitos da atualidade. Nós apenas temos certeza de que a sabedoria de Deus se revelou em Cristo. Ele faz o diagnóstico apropriado e é o verdadeiro e definitivo remédio para nossas chagas. Somos conscientes de que a solução para nós veio de Deus, por meio de Cristo. Por isto entendemos que todo movimento político-ideológico (e também religioso) sempre emperrará em função do pecado humano. E isso não desestimula o envolvimento social ou a participação política, mas constata com sobriedade que todo movimento humano é relativo. É a garantia de que não faremos do nosso movimento, partido, ideologia ou religião um instrumento de fanatismo. Quem remove Cristo e sua obra do centro do seu agir no mundo, não enxerga o verdadeiro problema do ser humano. Ao fazer isso, torna absoluta uma causa relativa.
As propostas de soluções para os problemas atuais levam em consideração a solução de Deus revelada em Cristo por meio da sua Palavra? Veja o que diz o segundo artigo da Confissão de Barmen:
“Jesus Cristo se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção” - 1 Co 1.30
“Assim como Jesus Cristo é o anúncio divino do perdão de todos nossos pecados, assim e com igual seriedade ele é a vigorosa reivindicação de Deus sobre toda a nossa vida; por meio dele experimentamos alegre libertação das amarras ateias deste mundo para o serviço livre e grato à suas criaturas.
Condenamos a falsa doutrina de que existem áreas em nossa vida nas quais fossemos propriedade não de Jesus Cristo, mas sim de outros senhores, e nas quais não necessitássemos da sua justificação e santificação.”
Como cristãos precisamos nos perguntar se já não fomos invadidos pelo espírito de nossa época e se não absorvemos a ideologia dominante sem questionamentos.
- Que movimentos ideológicos em nossos dias abdicam da obra de Cristo na cruz e se apresentam como solução para nossa sociedade? Quem são suas vítimas?
- De que áreas da nossa vida excluímos o perdão e da santificação de Jesus Cristo?
- Quem determina nossos hábitos de consumo? Será Jesus Cristo ou serão outros senhores? A quem prestamos contas do uso dos nossos recursos financeiros?
Daniel Schorn – Orleans, SC



Editorial: O Boletim Virtual  Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
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É livre para distribuição.

23 de jul. de 2013

Edição 18 - É preciso explicar nossa fé! - Confissão de Barmen 1

23 de julho de 2013

É preciso explicar nossa fé!

            Quando Jesus ressuscitou, os discípulos tiveram certeza de que ele era o Messias prometido aos profetas. Mas ao proclamá-lo pelo Império Romano afora, tiveram que explicar isso a quem não fazia ideia do que era o messias. Ousaram, então, anunciar Jesus com o mesmo título do imperador romano, ou seja, “Senhor”. Este se entendia como autoridade suprema do mundo e exigia ser adorado como deus. A confissão de que “Jesus é Senhor” questionava isto, pois lhe atribuía o domínio sobre céus e terra. O imperador era respeitado, sim, mas como servo de Deus (Romanos 13). Este testemunho orientou os cristãos por séculos e lhes rendeu não pouca perseguição.

Assim, em cada época os cristãos foram desafiados a explicar a boa nova de Jesus Cristo, confessando-a ousadamente. Em 1530, príncipes evangélicos entregaram ao imperador alemão a “Confissão de Augsburgo”, na qual declararam a verdade divina frente aos equívocos do seu tempo.

         O século 20 foi marcado por duas ideologias, o nazismo e o comunismo. Ambas tentaram cooptar e enquadrar tudo e todos no seu sistema de pensamento, perseguindo e aniquilando quem não se sujeitasse a elas.  Logo no início do regime nazista, alguns cristãos na Alemanha perceberam sua incompatibilidade com a fé em Jesus. Então, em 1934, numa reunião em Barmen, eles professaram a fé numa declaração de seis teses. Todas elas iniciam com a menção do fundamento bíblico e são seguidas por uma afirmação positiva e uma condenação da falsificação ideológica.

         Estas palavras orientaram muitos cristãos em sofrimentos e perseguição pelos anos que o regime nazista duraria. Nas próximas edições deste Boletim, pretendemos refletir sobre elas. Os desafios que nos cercam certamente são outros, mas com seu testemunho podemos aprender como viver e explicar o evangelho hoje.

Primeira tese da Confissão de Barmen
Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14.6) – “Eu lhes asseguro que aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta,mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. ... Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem”. (João 10.1, 9)
Jesus Cristo, tal qual é testemunhado na Sagrada Escritura, é a única palavra de Deus que devemos ouvir, na qual devemos confiar e à qual devemos obedecer na vida e na morte.
Condenamos a falsa doutrina de que a igreja possa e deva reconhecer como fonte da sua proclamação, além e ao lado desta palavra única de Deus, ainda outros acontecimentos, poderes, personagens e verdades como revelação de Deus.

         Vale a pena ler e reler este breve enunciado e meditar sobre ele. O roteiro de perguntas a seguir quer ajudar a aplicá-lo ao contexto em que nós vivemos:

         1. Jesus é, de fato, a “única palavra de Deus” para nós?
         2. Estamos dispostos a confiar em Jesus e obedecer-lhe “na vida e na morte”?
3. Que “acontecimentos, personagens ou verdades” fazem concorrência a Jesus na nossa vida?
4. Que atitudes precisamos tomar no âmbito em que convivemos para corresponder ao que Deus revelou em Jesus?


Martin Weingaertner

Editorial: O Boletim Virtual  Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
A edição é quinzenal e pode ser usado tanto para a reflexão pessoal como em grupos de estudo.
É livre para distribuição.


12 de jul. de 2013

Edição 17 - Princípios e Valores da Família

10 de julho de 2013

Princípios e Valores da Família

Deus criou homem e mulher segundo a sua própria imagem. Uma pessoa, enquanto indivíduo é imagem de Deus. Um casal, no entanto, é ainda mais completo nessa questão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gênesis 1.27). Em outras palavras, Deus nos criou macho e fêmea. Não se trata, portanto, apenas de uma questão religiosa qualquer quando defendemos o casamento e a união heterossexual, mas de uma questão inata à nossa natureza. É desta união que é possível a ordem seguinte do “crescei e multiplicai-vos”. E aqui se engana quem acha que estamos defendendo a relação sexual apenas para procriação.

A família é criação de Deus e é a única e mais elevada organização dos relacionamentos humanos. Reconhecer isso é perceber na família o seu propósito divino que é contrário à poligamia, à prostituição, ao divórcio, ao adultério, à homossexualidade, à esterilidade e à falta de diferenciação dos papéis de homem e mulher. É claro que os nossos filhos não serão criados numa redoma. Eles terão amigos, irão á escola, estarão em contato com a cultura à sua volta. E é assim que deve ser. No entanto, a maneira como eles se relacionarão com esta realidade, o quanto influenciarão ou serão influenciados, dependerá da base recebida no núcleo familiar em que crescem e são educados.

Uma família nasce do vínculo sagrado entre um homem e uma mulher. O homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne (Gênesis 2.24). Não se trata de mera convenção social. Não é apenas um aspecto cultural a ser respeitado ou tolerado. O que é eterno é eterno. O que está instituído na criação pede, no mínimo, bom senso. No entanto, existem apenas duas opções: a obediência à vontade promulgada por Deus ou a desobediência, mesmo que este segundo caminho possua diversos desdobramentos e possibilidades. Mas, isso não muda o fato de que continua sendo pecado, é errar o alvo, é rebelião, é a busca por viver segundo a minha própria vontade mesquinha, egoísta e autorreferente. Os resultados desse tipo de rebelião podem ser vistos por toda parte. E não será o investimento em educação, o crescimento econômico, a construção de mais presídios, etc., que resolverão o problema da delinquência, das drogas, do álcool e da violência em geral. Isso somente será possível mediante o arrependimento sincero diante de Deus e a busca e submissão ao padrão de Deus para a sociedade edificada sobre a célula familiar.

Avaliemos as nossas crenças e práticas. Está na hora de voltarmos aos valores, princípios e padrões divinos para viver, não como insensatos que confiam em si mesmos, mas como sábios que buscam no Senhor a edificação de suas vidas!  Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite (Salmo 1.1-2).

Miss. Rodomar Ricardo Ramlow – Pelotas, RS
  

  
Contato:  P. Joel Schlemper


Editorial: O Boletim Virtual  Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
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26 de jun. de 2013

Edição 16 - O batismo que aponta para o Evangelho

26 de junho de 2013

O batismo que aponta para o Evangelho

Há pouco tempo atrás o GPS não era acessível à maioria das pessoas. Em virtude disto, os viajantes eram guiados pelas placas que os levavam ao destino desejado. Ainda hoje as placas apontam a direção que nós devemos seguir para uma viagem tranquila. Da mesma forma como as placas indicam o caminho, também o batismo quer nos levar ao único caminho, verdade e vida. Fora disto, estamos nos enganando, ou, ainda, assumindo o risco de tomarmos caminhos que nos deixarão perdidos.

Isto fica claro quando lemos o Novo Testamento e encontramos poucas ocorrências a respeito do batismo. Afinal, o batismo não testemunha de si mesmo, mas está a serviço do Evangelho, apontando para Cristo, ou seja, o batismo deve servir a Cristo, apontando para sua morte e ressurreição e nos inserindo na mesma (Rm 6.5), para que andemos em novidade de vida.

Aprendemos isto do próprio Cristo quando olhamos para o final do Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 19 e 20, texto conhecido como “A Grande Comissão”.

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”

Nas palavras do Cristo ressuscitado enxergamos nitidamente qual o papel daqueles que aguardam sua vinda, a saber, o chamado ao discipulado no dia-a-dia, uma vida guiada por Deus. Nisto podemos atentar para as 4 partes destes versículos.

Cristo não manda que criemos membros, fiéis ou pessoas batizadas, ele pede por discípulos de todas as nações! O exemplo de fazer discípulos é dado pelo próprio Jesus ao longo de seu ministério. Discipulado é o confronto com a realidade e o convite para olhar ao seu redor com os olhos de quem já enxerga a eternidade em fé. Os discípulos devem se multiplicar e alcançar todos os povos, esta é a missão da Igreja, ir além de seus muros e barreiras confessionais, fazendo discípulos de Cristo ainda hoje.

Tais discípulos devem ser batizados. Há quem creia que batismo nada mais seja que um mero “jogar aguinha na cabeça”. Quem pensa desta forma, despreza a ordem de Cristo de que o batismo faz parte do discipulado. A fórmula usada no Evangelho de Mateus ainda hoje é empregada, e desta forma a pessoa batizada é entregue sob os cuidados do Trino Deus. A pessoa pertence a Ele. Isto se desdobra no testemunho diário. A diferença deste batismo para o de João Batista é que agora o próprio Jesus faz parte dele e os que agora são batizados morrem com Cristo e erguem-se com Ele para uma vida nova (Rm 6.1ss).Sendo assim, batismo não é mero ato formal, mas compromisso com o Cristo morto e ressurreto, batismo é discipulado, caso contrário torna-se juízo sobre os que em vão usam o nome de Cristo.

Todo discípulo batizado deve ser instruído e aperfeiçoado. Em outros termos, viver Cristo no cotidiano é aprofundar-se por meio de Sua palavra: pelo ensino, exortação e consolo enquanto aguarda a volta dAquele que nos prometera o Consolador.

No caminho do discipulado certamente enfrentamos dificuldades e situações adversas. Porém, temos a certeza de que não estamos sozinhos. O próprio Jesus promete estar conosco e desta forma seguiremos, nas palavras de Agostinho “A Igreja avançará, peregrinando entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus”.

P. Israel W. Sell – Navegantes, SC

  
 Contato:  P. Joel Schlemper

7 de jun. de 2013

Edição 15 - Aborto


05 de junho de 2013                                                
Aborto

Aborto: uma questão de saúde pública?
A discussão em torno do aborto reaparece de tempos em tempos. Há quem defenda que o aborto não seja mais considerado crime. O argumento é que se trata de uma questão de saúde pública. A razão seria o número elevado de mulheres que morrem em decorrência de abortos clandestinos.
Ninguém apresenta números exatos nem a fonte, o que poderia nos levar a suspeitar dos altos números apresentados Mas, mesmo que os números fossem altos, isso justificaria descriminalizar o aborto? Se o feto é pessoa há algum motivo justificável para matar alguém? Por isso queremos analisar este tema.

O que é aborto?
Mas porque aprovar leis no Brasil que descriminalizem o aborto? Há algum interesse oculto nessa intenção?Como cristãos comprometidos com a Palavra de Deus e o respeito à vida podem se posicionar a este respeito?O que afinal de contas é o aborto?
Aborto é a expulsão ou extração da placenta ou membranas sem um feto identificável, ou com um recém-nascido vivo ou morto que pese menos de 500 gramas ou que tenha menos de 20 semanas. O aborto pode ser espontâneo, quando acontece por causas naturais, ou provocado, quando ocorre por intervenção especial do ser humano.
Legislação brasileira
A legislação brasileira em vigor é uma das mais duras quando trata do tema. O aborto é considerado crime. Contudo, o artigo 128 do código penal, não o pune em duas situações: a) Quando a vida da mãe está em perigo; b) Em caso de estupro. Recentes decisões judiciais autorizaram aborto de fetos sem cérebro. Ao mesmo tempo, o artigo 5º da Constituição garante a todos o direito à vida.

Quando a vida começa?
Uma das grandes perguntas em torno do debate sobre o aborto é: “quando começa a vida?”. Existem basicamente três opiniões:
1)              Os que defendem o início da vida baseados em dados genéticos. Estes entendem que a vida humana inicia no momento da concepção.
2)              Os que acreditam que o feto precisa se desenvolver para só depois ser considerado uma pessoa. Neste grupo estão os que dizem que a vida começa a partir da nidação (12 dias), ou da formação do córtex cerebral (20 semanas), ou a partir da constituição física do feto (21 semanas), ou ainda a partir de sua saída do útero.
3)              Os que afirmam que a vida só pode ser determinada a partir de suas conseqüências sociais.Neste grupo, defende-se a ideia que uma gestação não deveria ser levada adiante se o feto causar problemas sociais. Por exemplo: se a família é pobre e não tem condições de criar mais um filho. Ou se a mãe for uma adolescente e, em função da maternidade, terá que interromper seus estudos.
A Biologia pode nos ajudar a entender quando começa a vida. A vida humana inicia na concepção. Neste momento, já estão definidos sexo, cor dos olhos, cor do cabelo, etc. E isto já o caracteriza como pessoa. O Salmo 139. 14-16 expressa essa verdade: Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra.Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.
Por isso, é inadmissível o aborto sob o argumento de que o filho prejudicaria os planos da mãe ou provocaria consequências sociais negativas.

O que a Bíblia diz?
A Bíblia não fixa o momento exato do início da vida, nem fala sobre o aborto provocado. A Didaquê (Manual prático dos cristãos do século I) condena o aborto ao dizer: Não farás morrer a criança pelo aborto nem depois de ter nascido. Neste caso, se o feto é uma vida, deve ser protegido. Neste sentido, o quinto mandamento ao dizer Não matarás (Êxodo 20.13) não apenas proíbe matar, mas também nos compromete a proteger a vida, inclusive a que ainda não nasceu.

Cristãos defendem a vida.
Como cristãos não podemos concordar com o aborto. Trata-se de um assassinato no qual a vítima não tem como se defender. Defendemos a vida em qualquer circunstância, porque temos nossa consciência cativa a Deus. Ao mesmo tempo, devemos agir com sensibilidade naqueles casos em que a legislação não pune o aborto. Por exemplo, se a mulher engravidar a partir de um estupro e decidir por não abortar, deve ser apoiada. Por outro lado, se ela decidir pelo aborto igualmente precisa de apoio. Nestes casos extremos, cabe à mulher decidir.

O que podemos fazer para evitar o aborto?
Igreja e Estado precisam se empenhar na defesa da vida, cada qual em seu âmbito. A igreja, além de incentivar e valorizar a família, deve desenvolver ações que promovam a paternidade e maternidade responsável dentro do casamento. Os jovens precisam ser orientados para uma vida casta e decente. Além disso, oferecer espaços para proteger a gestante que, por algum motivo, está desprotegida e desamparada. Deve ajudá-la e ampará-la para que não lhe ocorra, seja por desespero ou por falta de conhecimento, a tentação de interromper uma vida inocente.

P. Joel Schlemper – joelschlemper@gmail.com




Contato:  P. Joel Schlemper

Editorial: O Boletim Virtual  Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
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