12 de jul. de 2013

Edição 17 - Princípios e Valores da Família

10 de julho de 2013

Princípios e Valores da Família

Deus criou homem e mulher segundo a sua própria imagem. Uma pessoa, enquanto indivíduo é imagem de Deus. Um casal, no entanto, é ainda mais completo nessa questão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gênesis 1.27). Em outras palavras, Deus nos criou macho e fêmea. Não se trata, portanto, apenas de uma questão religiosa qualquer quando defendemos o casamento e a união heterossexual, mas de uma questão inata à nossa natureza. É desta união que é possível a ordem seguinte do “crescei e multiplicai-vos”. E aqui se engana quem acha que estamos defendendo a relação sexual apenas para procriação.

A família é criação de Deus e é a única e mais elevada organização dos relacionamentos humanos. Reconhecer isso é perceber na família o seu propósito divino que é contrário à poligamia, à prostituição, ao divórcio, ao adultério, à homossexualidade, à esterilidade e à falta de diferenciação dos papéis de homem e mulher. É claro que os nossos filhos não serão criados numa redoma. Eles terão amigos, irão á escola, estarão em contato com a cultura à sua volta. E é assim que deve ser. No entanto, a maneira como eles se relacionarão com esta realidade, o quanto influenciarão ou serão influenciados, dependerá da base recebida no núcleo familiar em que crescem e são educados.

Uma família nasce do vínculo sagrado entre um homem e uma mulher. O homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne (Gênesis 2.24). Não se trata de mera convenção social. Não é apenas um aspecto cultural a ser respeitado ou tolerado. O que é eterno é eterno. O que está instituído na criação pede, no mínimo, bom senso. No entanto, existem apenas duas opções: a obediência à vontade promulgada por Deus ou a desobediência, mesmo que este segundo caminho possua diversos desdobramentos e possibilidades. Mas, isso não muda o fato de que continua sendo pecado, é errar o alvo, é rebelião, é a busca por viver segundo a minha própria vontade mesquinha, egoísta e autorreferente. Os resultados desse tipo de rebelião podem ser vistos por toda parte. E não será o investimento em educação, o crescimento econômico, a construção de mais presídios, etc., que resolverão o problema da delinquência, das drogas, do álcool e da violência em geral. Isso somente será possível mediante o arrependimento sincero diante de Deus e a busca e submissão ao padrão de Deus para a sociedade edificada sobre a célula familiar.

Avaliemos as nossas crenças e práticas. Está na hora de voltarmos aos valores, princípios e padrões divinos para viver, não como insensatos que confiam em si mesmos, mas como sábios que buscam no Senhor a edificação de suas vidas!  Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite (Salmo 1.1-2).

Miss. Rodomar Ricardo Ramlow – Pelotas, RS
  

  
Contato:  P. Joel Schlemper


Editorial: O Boletim Virtual  Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
A edição é quinzenal e pode ser usado tanto para a reflexão pessoal como em grupos de estudo.
É livre para distribuição.

26 de jun. de 2013

Edição 16 - O batismo que aponta para o Evangelho

26 de junho de 2013

O batismo que aponta para o Evangelho

Há pouco tempo atrás o GPS não era acessível à maioria das pessoas. Em virtude disto, os viajantes eram guiados pelas placas que os levavam ao destino desejado. Ainda hoje as placas apontam a direção que nós devemos seguir para uma viagem tranquila. Da mesma forma como as placas indicam o caminho, também o batismo quer nos levar ao único caminho, verdade e vida. Fora disto, estamos nos enganando, ou, ainda, assumindo o risco de tomarmos caminhos que nos deixarão perdidos.

Isto fica claro quando lemos o Novo Testamento e encontramos poucas ocorrências a respeito do batismo. Afinal, o batismo não testemunha de si mesmo, mas está a serviço do Evangelho, apontando para Cristo, ou seja, o batismo deve servir a Cristo, apontando para sua morte e ressurreição e nos inserindo na mesma (Rm 6.5), para que andemos em novidade de vida.

Aprendemos isto do próprio Cristo quando olhamos para o final do Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 19 e 20, texto conhecido como “A Grande Comissão”.

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”

Nas palavras do Cristo ressuscitado enxergamos nitidamente qual o papel daqueles que aguardam sua vinda, a saber, o chamado ao discipulado no dia-a-dia, uma vida guiada por Deus. Nisto podemos atentar para as 4 partes destes versículos.

Cristo não manda que criemos membros, fiéis ou pessoas batizadas, ele pede por discípulos de todas as nações! O exemplo de fazer discípulos é dado pelo próprio Jesus ao longo de seu ministério. Discipulado é o confronto com a realidade e o convite para olhar ao seu redor com os olhos de quem já enxerga a eternidade em fé. Os discípulos devem se multiplicar e alcançar todos os povos, esta é a missão da Igreja, ir além de seus muros e barreiras confessionais, fazendo discípulos de Cristo ainda hoje.

Tais discípulos devem ser batizados. Há quem creia que batismo nada mais seja que um mero “jogar aguinha na cabeça”. Quem pensa desta forma, despreza a ordem de Cristo de que o batismo faz parte do discipulado. A fórmula usada no Evangelho de Mateus ainda hoje é empregada, e desta forma a pessoa batizada é entregue sob os cuidados do Trino Deus. A pessoa pertence a Ele. Isto se desdobra no testemunho diário. A diferença deste batismo para o de João Batista é que agora o próprio Jesus faz parte dele e os que agora são batizados morrem com Cristo e erguem-se com Ele para uma vida nova (Rm 6.1ss).Sendo assim, batismo não é mero ato formal, mas compromisso com o Cristo morto e ressurreto, batismo é discipulado, caso contrário torna-se juízo sobre os que em vão usam o nome de Cristo.

Todo discípulo batizado deve ser instruído e aperfeiçoado. Em outros termos, viver Cristo no cotidiano é aprofundar-se por meio de Sua palavra: pelo ensino, exortação e consolo enquanto aguarda a volta dAquele que nos prometera o Consolador.

No caminho do discipulado certamente enfrentamos dificuldades e situações adversas. Porém, temos a certeza de que não estamos sozinhos. O próprio Jesus promete estar conosco e desta forma seguiremos, nas palavras de Agostinho “A Igreja avançará, peregrinando entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus”.

P. Israel W. Sell – Navegantes, SC

  
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7 de jun. de 2013

Edição 15 - Aborto


05 de junho de 2013                                                
Aborto

Aborto: uma questão de saúde pública?
A discussão em torno do aborto reaparece de tempos em tempos. Há quem defenda que o aborto não seja mais considerado crime. O argumento é que se trata de uma questão de saúde pública. A razão seria o número elevado de mulheres que morrem em decorrência de abortos clandestinos.
Ninguém apresenta números exatos nem a fonte, o que poderia nos levar a suspeitar dos altos números apresentados Mas, mesmo que os números fossem altos, isso justificaria descriminalizar o aborto? Se o feto é pessoa há algum motivo justificável para matar alguém? Por isso queremos analisar este tema.

O que é aborto?
Mas porque aprovar leis no Brasil que descriminalizem o aborto? Há algum interesse oculto nessa intenção?Como cristãos comprometidos com a Palavra de Deus e o respeito à vida podem se posicionar a este respeito?O que afinal de contas é o aborto?
Aborto é a expulsão ou extração da placenta ou membranas sem um feto identificável, ou com um recém-nascido vivo ou morto que pese menos de 500 gramas ou que tenha menos de 20 semanas. O aborto pode ser espontâneo, quando acontece por causas naturais, ou provocado, quando ocorre por intervenção especial do ser humano.
Legislação brasileira
A legislação brasileira em vigor é uma das mais duras quando trata do tema. O aborto é considerado crime. Contudo, o artigo 128 do código penal, não o pune em duas situações: a) Quando a vida da mãe está em perigo; b) Em caso de estupro. Recentes decisões judiciais autorizaram aborto de fetos sem cérebro. Ao mesmo tempo, o artigo 5º da Constituição garante a todos o direito à vida.

Quando a vida começa?
Uma das grandes perguntas em torno do debate sobre o aborto é: “quando começa a vida?”. Existem basicamente três opiniões:
1)              Os que defendem o início da vida baseados em dados genéticos. Estes entendem que a vida humana inicia no momento da concepção.
2)              Os que acreditam que o feto precisa se desenvolver para só depois ser considerado uma pessoa. Neste grupo estão os que dizem que a vida começa a partir da nidação (12 dias), ou da formação do córtex cerebral (20 semanas), ou a partir da constituição física do feto (21 semanas), ou ainda a partir de sua saída do útero.
3)              Os que afirmam que a vida só pode ser determinada a partir de suas conseqüências sociais.Neste grupo, defende-se a ideia que uma gestação não deveria ser levada adiante se o feto causar problemas sociais. Por exemplo: se a família é pobre e não tem condições de criar mais um filho. Ou se a mãe for uma adolescente e, em função da maternidade, terá que interromper seus estudos.
A Biologia pode nos ajudar a entender quando começa a vida. A vida humana inicia na concepção. Neste momento, já estão definidos sexo, cor dos olhos, cor do cabelo, etc. E isto já o caracteriza como pessoa. O Salmo 139. 14-16 expressa essa verdade: Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra.Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.
Por isso, é inadmissível o aborto sob o argumento de que o filho prejudicaria os planos da mãe ou provocaria consequências sociais negativas.

O que a Bíblia diz?
A Bíblia não fixa o momento exato do início da vida, nem fala sobre o aborto provocado. A Didaquê (Manual prático dos cristãos do século I) condena o aborto ao dizer: Não farás morrer a criança pelo aborto nem depois de ter nascido. Neste caso, se o feto é uma vida, deve ser protegido. Neste sentido, o quinto mandamento ao dizer Não matarás (Êxodo 20.13) não apenas proíbe matar, mas também nos compromete a proteger a vida, inclusive a que ainda não nasceu.

Cristãos defendem a vida.
Como cristãos não podemos concordar com o aborto. Trata-se de um assassinato no qual a vítima não tem como se defender. Defendemos a vida em qualquer circunstância, porque temos nossa consciência cativa a Deus. Ao mesmo tempo, devemos agir com sensibilidade naqueles casos em que a legislação não pune o aborto. Por exemplo, se a mulher engravidar a partir de um estupro e decidir por não abortar, deve ser apoiada. Por outro lado, se ela decidir pelo aborto igualmente precisa de apoio. Nestes casos extremos, cabe à mulher decidir.

O que podemos fazer para evitar o aborto?
Igreja e Estado precisam se empenhar na defesa da vida, cada qual em seu âmbito. A igreja, além de incentivar e valorizar a família, deve desenvolver ações que promovam a paternidade e maternidade responsável dentro do casamento. Os jovens precisam ser orientados para uma vida casta e decente. Além disso, oferecer espaços para proteger a gestante que, por algum motivo, está desprotegida e desamparada. Deve ajudá-la e ampará-la para que não lhe ocorra, seja por desespero ou por falta de conhecimento, a tentação de interromper uma vida inocente.

P. Joel Schlemper – joelschlemper@gmail.com




Contato:  P. Joel Schlemper

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É livre para distribuição.



21 de mai. de 2013

Edição 14 - Deveríamos apoiar o casamento homossexual?


Edição 14

21 de maio de 2013

Deveríamos apoiar o casamento homossexual?

 Wolfhart Pannenberg*

O amor pode ser pecaminoso? Toda a tradição da doutrina cristã ensina que existe tal coisa como o amor invertido, pervertido. Os seres humanos são feitos para amar, como criaturas de Deus, que é amor. Contudo, essa designação divina é corrompida sempre que as pessoas se afastam de Deus e amam as outras coisas mais do que a Deus.

Jesus disse: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37). O amor a Deus precisa ter a precedência sobre o amor aos nossos pais, embora o amor aos pais seja recomendado no Quarto Mandamento.

A vontade de Deus deve ser o guia de nossa identidade e de determinarmos o que somos. O que isso implica para o comportamento sexual pode ser visto no ensino de Jesus sobre o divórcio. Para responder a pergunta dos fariseus sobre a admissibilidade do divórcio, Jesus se refere à criação dos seres humanos. Nessa passagem, Jesus vê a Deus expressando seu propósito para as suas criaturas: a criação confirma que Deus fez os seres humanos como macho e fêmea. Por isso, o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, e os dois se tornam uma só carne. Jesus conclui disso que a permanência indissolúvel da comunhão entre o marido e a esposa é a vontade do Criador para os seres humanos.

A comunhão indissolúvel do casamento é, portanto, o alvo de nossa criação como seres sexuais (Mc 10.2-9). Visto que esse princípio da Bíblia não está limitado a tempo, a palavra de Jesus é o fundamento e o critério para todo pronunciamento cristão sobre a sexualidade, não somente sobre o casamento em especifico, mas sobre toda a nossa identidade como seres sexuais.
De acordo com o ensino de Jesus, a sexualidade humana como macho e fêmea é destinada à comunhão indissolúvel do casamento. Esse padrão dá essência à doutrina cristã a respeito de todo o âmbito do comportamento sexual. No todo, a perspectiva de Jesus corresponde à tradição judaica, embora sua ênfase sobre a indissolubilidade do casamento vá além da estipulação quanto ao divórcio na lei judaica (Dt 24.1).

Os judeus compartilhavam da convicção de que homens e mulheres, em sua identidade sexual, foram planejados para a comunidade do casamento. Isso também explica a avaliação do Antigo Testamento quanto aos comportamentos sexuais que se afastam dessa norma, incluindo fornicação, adultério e relações homossexuais. As avaliações bíblicas da prática homossexual são inequívocas em sua rejeição, e todas as suas afirmações sobre este assunto são concordantes, sem exceção. O Código de Santidade, em Levítico, afirma incontroversamente: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação” (Lv 18.22). Em Levítico 20, o comportamento homossexual é incluído entre os crimes que merecem a pena capital (Lv 20.13); é significativo que isso também se aplica ao adultério no versículo 13. Nesses assuntos, o judaísmo sempre se reconheceu distinto das outras nações.

A mesma distinção continuou a determinar a posição do Novo Testamento quanto à homossexualidade, em contraste com a cultura helênica que não via ofensa nas relações homossexuais. Em Romanos, Paulo inclui o comportamento homossexual entre as conseqüências de rejeitar a Deus (Rm 1.27).
Em 1 Coríntios, a prática homossexual é categorizada ao lado de fornicação, adultério, idolatria, avareza, bebedeira, furto e roubo como um comportamento que impede a participação no reino de Deus (1Co 6.9-10). Paulo afirma que por meio do batismo aquelas pessoas foram libertas de seu embaraço em todas essas práticas (1Co 6.11).

O Novo Testamento não contém uma única passagem que possa indicar uma avaliação mais positiva da atividade homossexual para contrabalançar essas afirmações de Paulo.

Assim, todo o testemunho da Bíblia inclui a prática da homossexualidade, sem exceção, entre os comportamentos que expressam, de modo impressionante, o fato de que a humanidade se afastou de Deus. Esse resultado exegético coloca limites bem estreitos no ponto de vista sobre a homossexualidade para qualquer igreja que está sob a autoridade das Escrituras. E as afirmações bíblicas sobre este assunto expressam a conseqüência negativa em relação às opiniões bíblicas positivas sobre o propósito da criação do homem e da mulher, em sua sexualidade. Essas passagens bíblicas que são negativas em relação ao comportamento homossexual não estão lidando apenas com opiniões secundárias que poderiam ser negligenciadas sem prejuízo da mensagem cristã como um todo. Além disso, as afirmações bíblicas sobre a homossexualidade não podem ser relativizadas como expressões de uma situação cultural que hoje está ultrapassada.

Desde o início, o testemunho bíblico se opôs deliberadamente às pretensões de seu ambiente cultural, em nome da fé no Deus de Israel, que na Criação designou o homem e a mulher para uma identidade específica. Os defensores contemporâneos de uma mudança na opinião da igreja a respeito da homossexualidade argumentam constantemente que as afirmações bíblicas desconheciam a importante evidência antropológica moderna. Essa nova evidência, dizem eles, sugere que a homossexualidade tem de ser considerada um constituinte da identidade psicossomática de pessoas homossexuais, completamente anterior a qualquer expressão homossexual correspondente. (Por questão de clareza, é melhor falarmos aqui deinclinação homófila como algo distinto da prática homossexual.) Esse fenômeno ocorre não somente em pessoas que são homossexualmente ativas. Mas a inclinação não precisa ditar a prática. É característico dos seres humanos que nossos impulsos sexuais não estão confinados a determinada esfera de comportamento; eles permeiam nosso comportamento em todas as áreas da vida. É claro que isso inclui os relacionamentos com pessoas do mesmo sexo. Contudo, exatamente pelo fato de que estímulos eróticos estão envolvidos em todos os aspectos do comportamento humano, somos confrontados com a tarefa de integrá-los a toda a nossa vida e conduta.

A existência de inclinações homófilas não leva automaticamente à prática homossexual. Pelo contrário, essas inclinações podem ser integradas numa vida em que elas são subordinadas ao relacionamento com o sexo oposto; e nesse relacionamento a atividade sexual não deve ser o centro todo-determinante da vida e da vocação humana. Como salientou corretamente o sociólogo Helmut Schelsky, uma das realizações primárias do casamento, como instituição, é o seu engajamento da sexualidade humana no cumprimento de tarefas e objetivos ulteriores. Portanto, a realidade de inclinações homófilas não precisa ser negada e não deve ser condenada. Todavia, a questão é como lidar com essas inclinações no âmbito da tarefa humana de dirigirmos responsavelmente nosso comportamento.
Esse é o verdadeiro problema; e, nesse ponto, temos de concordar com a conclusão de que a atividade homossexual é um afastamento da norma quanto ao comportamento sexual que foi dado ao homem e à mulher como criaturas de Deus.

 A igreja deve ter essa postura não somente no que diz respeito à atividade homossexual, mas também a qualquer atividade sexual que não expresse o alvo do casamento entre um homem e uma mulher, em especial, o adultério. A igreja tem de conviver com o fato de que, nesta área da vida, como em outras, afastamentos da norma não são excepcionais, mas comuns e ocorrem em todo o mundo.

A igreja tem de confrontar todos os que estão interessados em tolerância e entendimento, mas também deve exortá-los ao arrependimento. Ela não pode abandonar a distinção entre a norma e o comportamento que se afasta da norma. Este é o limite de uma igreja cristã que se reconhece sujeita à autoridade das Escrituras. Aqueles que instam a igreja a mudar a norma de seu ensino sobre este assunto precisam saber que estão promovendo cisma. Se uma igreja se permitisse chegar ao ponto em que cessaria de tratar a atividade homossexual como um afastamento da norma bíblica e reconheceria uniões homossexuais como companheirismo pessoal de amor equivalente ao casamento, essa igreja não estaria mais firmada no alicerce bíblico; antes, ela estaria contra o testemunho inequívoco das Escrituras. Uma igreja que tomasse esse passo deixaria de ser a igreja una, santa, católica e apostólica [com sentido de "Universal". Originalmente se aplica a idéia de uma igreja global, que é parte do todo cristão.


* Wolfhart Pannenberg é um dos maiores teólogos protestantes contemporâneos. Nasceu no ano 1928 na cidade de Stettin, Alemanha e foi batizado na igreja luterana. É considerado um teólogo da história, pois considera que a realidade histórica tem prioridade sobre a fé e o raciocínio humanos. Em sua reflexão, Pannenberg busca superar a marginalização da fé e da teologia em relação à razão moderna. A Teologia Sistemática de Pannenberg (Publicada em 3 volumes no Brasil pela editora Paulus) é considerada a melhor teologia sistemática do século 20. Em dezembro de 2008, a Universidade de Munique listava 645 publicações acadêmicas de sua autoria. Não concordamos com todos os aspectos da elaboração teológica de Pannenberg, porém publicamos este excelente texto por sua ênfase bíblica clara sobre o tema. Traduzido para o português por F. Wellington Ferreira.  Fonte:  

  
Contato: P. Joel Schlemper
joelschlemper@gmail.com 


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8 de mai. de 2013

Edição 13 - Ainda existe CERTO e ERRADO?


08 de maio de 2013   
            
Ainda existe CERTO e ERRADO?

Parece não haver mais verdades absolutas e eternas. Vivemos num tempo em que o certo para um pode não ser para outro. Aliás, o que é certo para um pode ser encarado como errado pelo outro, e o que é considerado errado para um pode ser a mais absoluta verdade para outro. Como conseqüência, deixar de pagar impostos para uns é sonegação e pecado; já para outros é sinônimo de esperteza. Um, com a Bíblia na mão, afirma que a prática da homossexualidade é pecado; já outro, dizendo basear-se na mesma Bíblia, irá afirmar que esta é uma expressão legítima de amor. Alguns consideram o aborto como assassinato e pecado, já outros defendem a decisão soberana e sem culpa por parte da mãe pelo menos até o terceiro mês da gestação. Diante dessas e outras questões que se colocam perguntamos: ainda existe certo e errado?
Parece que não existem mais valores e princípios universal e eternamente aceitos. Estamos diante da imposição de um novo fundamentalismo: uma espécie disfarçada de imposição da ausência de valores e princípios, a não ser aqueles que a própria pessoa determina. Em última análise, o que é certo e errado torna-se uma questão de foro íntimo, uma questão de decisão pessoal e individual. Até mesmo a religiosidade e a espiritualidade passam a ser uma questão de arranjo pessoal, fluida e transitória. O que é verdade hoje para a mesma pessoa pode não ser mais amanhã. Como conseqüência, não se vê com bons olhos que uma palavra de alguma autoridade, fora de mim mesmo, me diga o que é certo ou errado, nem mesmo a Bíblia.  Como nos tempos dos juízes, cada um fazia o que lhe parecia certo (Juízes 17.6 e 21.25). “Eu tinha motivo para querer que o mundo não tivesse significado... Para mim, e sem dúvida para muitos de meus contemporâneos, a filosofia do sem sentido era essencialmente um instrumento de libertação. A libertação que nós desejávamos era simultaneamente libertação de um certo sistema político e econômico e de certo sistema moral. Fazíamos objeções à moralidade, porque ela interferia em nossa liberdade sexual” (Aldous Huxley).
Quer me parecer que nos encontramos diante de um dos maiores desafios que o cristianismo já enfrentou em sua história. A compreensão acima, uma vez assimilada, trará profundas implicações para a fé cristã, para nossos relacionamentos e também para a autoridade da Bíblia, enquanto Palavra de Deus. Todas as esferas da vida humana, desde a ética, a moral e a própria espiritualidade, serão por ela atingidas e influenciadas. Corremos o risco de que cada qual absolutize o seu próprio jeito de ser e viver, resultando numa completa diluição do Evangelho de Jesus Cristo. Caso seja jogada fora a autoridade da Bíblia como Palavra eterna de Deus, nada restará, a não ser viver a partir de nós mesmos e para nós mesmos como autoridade última e suprema.
 A questão que se coloca é a seguinte: é o comportamento humano que precisa se adequar às verdades da Bíblia, ou é a Bíblia que precisa adaptar-se às constantes mudanças culturais?
Como cristãos, nós cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus. Sim, ela é a Palavra de Deus e não apenas a contém. Toda verdade vem de Deus, porque ele, em Jesus Cristo não apenas nos revelou a verdade, mas ele mesmo disse: Eu sou a verdade. É o próprio Deus quem decide o que é a verdade e o que é certo e errado. Por isso, o cristão abre mão de sua verdade individual e a submete a Deus, e se compromete com ela. Não é a experiência humana que ilumina e corrige a Escritura, mas é a Escritura que ilumina e corrige a experiência humana. Jesus ouviu as necessidades das pessoas e as levou em conta, mas não permitiu que a pressão do meio e as necessidades das pessoas definissem o caráter de seu ministério.
Ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus (2 Coríntios 2.17).


P. Sigolf Greuel

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23 de abr. de 2013

Edição 12 - Os cristãos de Beréia – Os cristãos da Noruega


Editorial: O Boletim Virtual  Luteranos em Movimento é organizado por um grupo de ministros da IECLB e tem por objetivo a reflexão e a Formação Cristã Continuada para dentro da igreja de Jesus.
A edição é quinzenal e pode ser usado tanto para a reflexão pessoal como em grupos de estudo.
É livre para distribuição e o conteúdo de edições anteriores pode ser acessado no blog: http://luteranos-em-movimento.blogspot.com.br/

Edição 12
23 de abril de 2013                
Os cristãos de Beréia – Os cristãos da Noruega

Dias atrás li uma reportagem que trazia a seguinte manchete – “Primeira pastora lésbica da Noruega renuncia”[1]. A razão para a renúncia, segundo a reportagem, seria uma forma de protesto da pastora que no ano de 1997 casou-se com uma mulher.
A pastora norueguesa se candidatou a diferentes campos de atividades ministeriais da igreja em seu país, porém, pelo fato de conviver com uma pessoa do mesmo sexo, sua candidatura não foi aceita. Tal dificuldade motivou o pedido de anulação da sua ordenação: "Ficou insustentável para mim representar uma Igreja que ainda pratica a exclusão", declarou Hilde Raastad na edição do jornal norueguês Aftenposten.

Apesar de a Igreja Luterana na Noruega autorizar a ordenação de pastores/as homossexuais, esse exemplo mostra que há congregações convencidas de que a decisão da igreja não está em conformidade com os ensinamentos das Sagradas Escrituras e demonstram clara resistência.

Esse episódio me fez lembrar uma passagem bíblica muito interessante que nos ajuda a nos posicionarmos frente aos temas que, hoje, representam um grande desafio a igreja. Em Atos 17.11 lemos: Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo.

O cuidado dos bereanos ao avaliar a mensagem que receberam, confrontando-a com as Escrituras é elogiado pelo autor de Atos como uma atitude nobre. Lucas poderia ter classificado esse gesto como uma demonstração de desconfiança, incredulidade ou arrogância. Mas não, ele o ressalta como uma virtude dos bereanos, deixando claro o que recomenda a seus leitores de então e de hoje.

O esforço de Lutero, durante a Reforma, para tornar a Bíblia acessível e compreensível ao povo foi um ato libertador e deu ao povo cristão uma grande responsabilidade. Não era mais a Igreja que dizia no quê e como o povo deveria fundamentar a sua fé, nem mais determinava como a Bíblia deveria ser entendida. O reformador abriu para a comunidade a possibilidade de questionar e a avaliar o que é ensinado. Ou seja, ao conhecer o conteúdo da Palavra de Deus ninguém mais vive sob o jugo da interpretação tendenciosa dos que se julgam no direito de determinar o que é certo e errado.

Esse é o legado da Reforma para os nossos dias. As Sagradas Escrituras nos dão clara orientação do que corresponde ou não com a vontade de Deus. Mesmo sob a pressão da sociedade e de argumentos apresentados como politicamente corretos devemos manter-nos fiéis à Palavra de Deus.

Apesar de a mídia rotular os luteranos noruegueses que não aceitaram a pastora lésbica como homofóbicos, eu os considero nobres noruegueses “bereanos”. Eles seguem o exemplo de Lutero que corajosamente declarou diante do parlamento do império que o julgava: "A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus".
A tradição luterana nos desafia a agir como bons bereanos e avaliar tudo na perspectiva das Sagradas Escritura, rejeitando qualquer doutrina ou decisão o que não está em conformidade com ensino dela.

P. Joelson E. Martins – São José, SC


Contato:  P. Joel Schlemper

10 de abr. de 2013

Edição 11 - Será a igreja ainda relevante?


Edição 11
10 de abril de 2013                
Será a igreja ainda relevante?

Compartilho uma notícia veiculada na Folha de São Paulo no dia 30 de março, em plena véspera da Páscoa:

Sem fiéis, igreja alemã põe templos à venda!
Vende-se uma igreja por 135 mil euros (R$ 350 mil). Quem está à procura de uma capela pode conseguir uma por 20 mil euros (R$ 51 mil). Essas ofertas são da arquidiocese de Berlim, que tenta há semanas se desfazer de templos que estão órfãos de fiéis. Embora a Igreja Católica tenha sido liderada recentemente pelo papa alemão Bento XVI, 400 templos foram fechados, na Alemanha, em 2011, de acordo com a Conferência Episcopal do país. Com a Igreja Evangélica alemã não é diferente. Os evangélicos criaram um site para divulgar a oferta de 170 templos e 140 terrenos. De 1990 a 2010, 340 templos evangélicos foram fechados no país, segundo o diário espanhol "El País". O índice de alemães católicos e evangélicos caiu 10% e 17%, respectivamente, desde os anos 1990. Uma igreja evangélica localizada na cidade de Hamburgo, vendida no final do ano passado, por falta do comparecimento de fiéis, agora está nas mãos do islã. O negócio acabou com a convivência pacífica entre cristãos e muçulmanos na cidade.

À distância, não temos condições para avaliar as razões do esvaziamento da vida comunitária no berço da Reforma. E nem pode ser nossa intenção estabelecer qualquer tipo de julgamento. Ainda assim, não deveríamos ignorar tais notícias, pois fatos como estes lançam sobre nós algo como um temor profético. Necessariamente havemos de nos perguntar: nossas comunidades em solo brasileiro correm um risco semelhante no futuro?

O risco imediato poderia ser que nos sintamos pressionados por este temor. Uma pressão que nos levaria a antecipar que também entre nós possa haver uma fuga lenta, mas progressiva dos fiéis de nossas comunidades. O que facilmente poderia nos levar a uma tentativa (nem sempre consciente) de adaptar nosso testemunho e nossa prática comunitária “ao gosto do cliente”, imaginando que assim faríamos de nossas comunidades e igrejas relevantes. Mas assim teríamos um Evangelho diluído, prostrado diante do estilo de vida e da cultura de cada geração. O ser humano seria alçado à condição de senhor, e Deus seria submetido à condição de criatura, a quem nada mais resta senão abençoar todas as decisões e atitudes do ser humano, por mais louco que isso possa parecer. Sob estes pressupostos e refém do espírito da época, a igreja nada mais seria do que ONG religiosa.

Não seria este um tiro a sair pela culatra?

Certamente a igreja não se tornará relevante simplesmente por se adequar ao estilo de vida de cada geração e por assumir um discurso politicamente correto. Fazendo isso, ela até poderia tornar-se relevante ao ser humano, mas certamente se tornaria irrelevante para o Senhor da Igreja. Não seria este um importante motivo para o esvaziamento da igreja?Uma Igreja adaptada à cultura de seu tempo e refém do espírito de sua época, na pretensão de atrair pessoas, acabará por não fazer mais diferença alguma em sua realidade e na vida das pessoas, que logo a deixarão, porque ela perdeu justamente aquilo que representa a sua relevância.

A relevância diante do Senhor é a condicionante para a relevância para as pessoas e para o mundo. Só assim ela fará diferença na vida das pessoas. Relevante ela será na medida em que conduzir pessoas a se submeter ao senhorio de Jesus Cristo e a libertar-se dos ditames da cultura vigente, quando estes estiverem em oposição à Palavra de Deus. Relevante ela será quando ensinar as pessoas a temer e a reverenciar a Deus acima de todas as coisas.  Relevante ela será na medida em que ela mesma se submeter à Palavra de Deus que encontramos na Bíblia e anunciar a justificação do pecador ao invés do pecado. Relevante ela será na medida em que tiver a coragem de anunciar neste mundo multi-religioso que Jesus Cristo é o único caminho e que não há salvação em nenhum outro nome.

P. Sigolf Greuel